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terça-feira, 18 de julho de 2017

Captação de recursos: olhando para a terceira idade com outros olhos

Crise? Assim como as empresas, as organizações filantrópicas e do Terceiro Setor buscam garantir que suas ações e marketing social estejam usando os melhores métodos e aplicando soluções para atrair e manter seu público e dar continuidade à sua missão. Ser eficaz e eficiente é um desafio diário e saber procurar novos recursos é estratégico.
O que muitos ainda estão negligenciando é o crescente uso de meios eletrônicos por parte de uma geração que está cada vez mais conectada: os “Baby Boomers”. Esta é a designação dos nascidos após a Segunda Guerra (entre 1945-1965), compreendendo pessoas que hoje estão ou se aproximam da terceira idade. Contrariando o senso comum, este grupo já colocou na mesa de seu café-com-pantufas novos suplementos, substituindo o jornal impresso: celulares, computadores e tablets. O uso de eletrônicos dentro desta faixa tem crescido no Reino Unido a uma taxa de 11% ao ano e mais de um quarto das pessoas acima de 75 anos já possui ao menos um destes dispositivos. De acordo com a Ofcom, a Agência Reguladora das Comunicações no Reino Unido, metade dos Baby Boomers já estão online e usam, de alguma forma, as redes sociais.
Isto aponta para um grupo de usuários e potenciais investidores: a terceira idade. O vovô e a vovó, definitivamente, estão curtindo o que seus filhos e netos andam fazendo. Mais ainda, querem participar. Composto por pessoas que já conquistaram suas necessidades básicas, hoje estão cada vez mais interessados em dar novos significados e propósito às suas existências. O engajamento social por meio das mídias se estabelece como uma oportunidade de investimento, nova ocupação (fora pantufas!) e realização pessoal, pois contém um componente de pertencimento em rede que realmente faz diferença, conecta e motiva.
Maturidade e expectativa de vida
Conforme a Associação de Docentes da Unicamp – ADunicamp, a expectativa de vida dos brasileiros é de 75 anos e nas regiões Sul e Sudeste a média sobe para 80 anos de idade, muito próxima da do Canadá (82 anos). Mas não é apenas a questão da idade, mas do prazer de viver e poder realizar seus sonhos, muitas vezes interrompidos em nome da necessidade. A visão cada vez mais positiva em relação à velhice tem proporcionado, além da melhora da saúde, muito mais disposição para poder participar da sociedade após a aposentadoria. Neste sentido, as limitações naturais da idade fazem com que os vovôs e vovós cheios de experiência e boas ideias possam buscar nas mídias sociais a ferramenta para continuarem ativos e com significância.
Resta às organizações do Terceiro Setor perceberem que a terceira idade não deseja apenas ser vista como aposentados ou alvo de projetos. Além do voluntariado ou parcerias em comum com outros grupos, eles desejam participar cada vez mais de empresas e associações.
Maturidade e Sabedoria
O desafio está em oportunizar novos meios e linguagens para conquistar seu apoio e, principalmente, seu capital de conhecimento com maturidade. Como disse Jairo Martins, Presidente Executivo da FNQ – Fundação Nacional da Qualidade, ao completar o caminho de Santigo de Compostela após uma jornada de 827 km aos 65 anos de idade:
– No auge dos meus 65 anos, lancei-me a um desafio. Digo auge, pois na idade em que me encontro, não me classifico como um senhor da terceira idade, assim como ditam as estatísticas. Uso as sábias palavras de uma experiente jornalista, de que hoje me considero um talento maduro, com ricas experiências a serem transmitidas. (…) Refleti o quanto os brasileiros têm sofrido em relação à crise, buscando reduzir custos e criar novas oportunidades. A crise faz você rever seus processos. 
Apenas a maturidade consegue transformar o conhecimento em sabedoria.

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