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terça-feira, 13 de junho de 2017

O Terceiro Setor, desafios e novos caminhos
O Terceiro Setor é a segunda maior rede de proteção social básica do Brasil, perdendo apenas para o Estado. Sabe-se que para cada Real de isenção tributária conquistado pelas entidades, as mesmas retornam seis vezes mais em termos de serviços e atendimento gratuito para a sociedade, nas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde. Isso mesmo: de acordo com o Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF –, usando informações divulgadas pelo próprio Governo, para cada R$1,00 de isenção concedido são devolvidos em média R$6,00. Esta proporção pró-entidades deveria pacificar o entendimento em relação à importância estratégica deste setor. Mas não é isso que acontece.
Associações e Fundações seguidamente encontram-se sob suspeita e são alvo de diligências governamentais. Apesar de seu trabalho estratégico, sofrem com ameaças e fiscalizações muitas vezes arbitrárias e casuísticas, ameaçando a perda da desoneração tributária, mesmo que as mesmas estejam atuando para suprir as lacunas deixadas pelo próprio setor público.
O grande desafio - inovação
Alguns fatores contribuem significativamente para as dificuldades do Terceiro Setor, como as defasagens de desempenho, sustentabilidade e regulamentação que embaraçam seu sucesso ou a relevância de suas ações.
Na defensiva, o Terceiro Setor normalmente aponta a causa de seus problemas para o governo e a falta de visão dos empresários que não possuiriam visão para investir. Assim, acabou desenvolvendo uma autopercepção distorcida e vitimista, colocando-se muitas vezes como um “patinho feio” na sociedade. Mas a ausência de autocrítica e do reconhecimento de problemas internos que precisam ser superados está na raiz de suas dificuldades. As Associações necessitam de uma revolução em termos de inovação social para vencer algumas defasagens históricas.
Mais do que equipamentos, processos ou novas tecnologias, inovar é ousar fazer as coisas certas de forma correta, rompendo a lógica dominante do jeitinho, do amadorismo ou da importação de modelos sem as devidas considerações locais. Ter uma boa causa não é suficiente.  É preciso ser eficaz e saber comunicar isso aos parceiros com transparência.
A solução - compliance
O fator urgente de inovação é o estabelecimento de uma cultura de Compliance, ou de conformidade com leis, normas, políticas internas e intersetoriais. Esta ação já foi testada e consagrada em governos, empresas e instituições que hoje são respeitados globalmente e considerados referenciais em seus respectivos segmentos. A integridade como fator de inovação está em poder agregar valor aos produtos e serviços ofertados, com honestidade. Isso fará com que tanto o governo quanto o setor privado mudem suas percepções para com o Terceiro Setor, mais do que qualquer relatório ou campanhas de marketing bem produzidos.
A ética aliada à eficácia tornou-se um fator crítico de sucesso. Onde antes um bom “padrinho” era tido como um recurso estratégico, hoje o compromisso dos dirigentes com valores corretos, o estabelecimento de controles internos e uma governança social integrada elevam suas organizações para níveis de desempenho competitivos, trazendo sustentabilidade com credibilidade. Esta combinação gera recursos através de parcerias fortes, pois em vez de se concentrarem apenas na possibilidade de retorno financeiro, os investidores também passam a considerar os impactos sociais e ambientais que o seus investimentos poderão criar. 
A lógica dominante com seus pressupostos, armadilhas e medos, conforme afirma o Consultor Chefe de Inovação da General Eletric, Vijay Govindarajan, deve ser questionada para que a inovação ética também seja alcançada. O caminho começa pela revisão de onde as instituições mais correm riscos: em seu modelo de gestão.
A construção da cidadania com ética é a melhor defesa de direitos possível, seja para as pessoas ou para o meio ambiente. E a rede do Terceiro Setor é diretamente responsável por isso.