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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Generosidade!

Generosidade!

O período de Natal é mundialmente conhecido como o maior período do ano para compras e trocas presentes. Isto porque as pessoas entendem que a melhor forma de agradar umas às outras é comprando coisas uma para as outras.

Mas será mesmo?

O Natal tornou-se uma época onde dois sentimentos andam juntos e misturados: a vontade de sair comprando e o fato de você acabar se irritando. Isto porque o que as pessoas realmente precisam não pode ser comprado por dinheiro algum. Por que, afinal, concentrar em um único período, a temporada de Natal, o que deveria ser distribuído ao longo de todo ano?

Não falo de coisas que o dinheiro pode comprar. Penso naqueles itens que não têm preço. Afinal, ainda acredito que tem certas coisas que o dinheiro não compra e que são verdadeiros tesouros. Se estivermos educando nossos filhos e netos apenas dentro de uma cultura de consumo, seremos também no futuro apenas mais um produto empoeirado na prateleira das relações utilitárias.

Em outras palavras, seremos coisificados e, como toda bugiganga, perderemos o valor e a capacidade de encantar. Muitas vezes mais rápido do que prosseguir até o final desta leitura, seremos descartados da mesma forma que aqueles presentes geniais que ninguém sabe o que fazer com eles: ficam dentro do armário por anos, até que acabam indo para algum bazar beneficente. No caso de pessoas, o esquecimento na medida em que perdem sua “utilidade”.

Amor, fé, esperança, carinho, respeito, gentileza, tolerância, bondade, educação e a lista vai crescendo por outras ações e atitudes que possuem valor inerente, inseparáveis de quem as dá – bem diferente de um preço colocado pelo mercado. Daí o seu valor ser inestimável! É como aquele desenhinho que um filho dá para seus pais e que estes guardam pela vida inteira, enquanto que aquele famoso celular foi trocado por outro modelo nem mesmo um ano depois. Na velhice, encontram o desenho amarelado dentro de um livro, fecham os olhos e o caminho da lágrima que escorre remete aos primeiros passos, a primeira palavra, o primeiro abraço.... isso não tem preço!

Que tal colocar isso tudo dentro de uma palavra, a generosidade?

Podemos até, mesmo correndo alguns riscos, dizer que a generosidade é como dinheiro em alguns aspectos. Existem pessoas que gastam de coração aberto, sem esperar nada em troca, e aquelas outras que são mesquinhas até o último centavo, agindo apenas numa relação de troca.

Na bíblia existe um verso que é usado de maneira errada dentro de um contexto financeiro, denunciando que a “ética” capitalista dominou o espírito cristão. A passagem, porém, diz exatamente o contrário: “-mais bem aventurado é dar do que receber.” Ora, o Apóstolo Paulo recordava as palavras de Jesus ao estimular seus irmãos a serem generosos com sua própria vida, abrindo mão de sua presença em favor de outras pessoas. Ele deveria seguir em sua missão para outro local e a comunidade temia por sua vida. Em outras palavras, sua mensagem foi: sejam generosos, permitam que eu me vá e cumpra minha missão!

O verdadeiro amor é generoso: o que recebemos em liberdade e de boa vontade deve ser igualmente repartido. Nada é definitivamente meu, até o momento que eu o considere definitivamente livre. Ninguém pode impor a sua presença ou exigir o amor de quem quer que seja.

O melhor presente não custa dinheiro – mas demanda tempo e atitude. O tempo investido na atitude correta retornará com muitos juros e dividendos que valerão por toda a vida. Ser generoso significa investir na vida de alguém sem esperar nada em troca, pois em primeiro lugar a generosidade beneficia aquele que a pratica. É uma coisa como “ser um egoísta do bem”!

Além da gratuidade, a generosidade pode ser anônima também. Podemos fazer muitas coisas por pessoas que nem sequer conhecemos. Isto aumenta o impacto e inverte a relação mercantil que tomou conta de nossa sociedade, que basicamente é regulada pelo mercado.

Como ser generoso? Cada um sabe, em seu contexto, como fazer um gesto de generosidade conforme o tempo que desejar investir. Mas existem muitas formas criativas e impactantes.

- Faça uma lista do tipo “Top-10” de pessoas (ou qualquer outro número que considerar viável) que realmente te inspiram, motivam ou influenciam positivamente na sua vida. Veja, tem que ser gente real, de seu círculo de relacionamentos (íntimos ou amigos)! Jesus, Gandhi e Mandela, deixa pra agradecer depois, pessoalmente. Se puder, divulgue a lista e diga por que você é grato a elas! A lista é sua, o motivo é seu e ninguém tem nada a ver com isso, mas todos irão sentir uma onda de amor. É claro, você pode simplesmente fazer a lista e enviar uma mensagem individual e diretamente para cada uma das pessoas. A gratidão é uma moeda em falta no mercado e por isso quando é feita publicamente, possui um impacto tremendo!

- Que tal escrever a resenha de algum livro que você realmente achou bom e divulgar para sua comunidade, ou em algum site de publicações. Muitas pessoas vão gostar. Imagina agora se você conhece o autor, ele ficará muito feliz!

- Divulgue uma lista de profissionais e/ou serviços que te impactaram positivamente. Claro, foi tua experiência, mas não tenha medo de elogiar! Todos sabem que eventualmente, por algum motivo, tudo pode dar errado. Mas não deixe o risco impedir sua generosidade. Afinal, se você corre o risco com aplicações financeiras e empréstimos, porque não correr investindo em pessoas?

- Em vez de simplesmente “curtir” alguma coisa nas mídias sociais, procure também dizer de vez em quando porque aquilo te fez bem.

- Perdoe. Isso mesmo, libere a pessoa de alguma dívida: pessoal, financeira, emocional, contratual, espiritual... você perceberá que o alívio que a pessoa sentirá será muito pequeno perto da paz que te inundará.

- Distribua “obrigados” com um abraço de vez em quando – de maneira sincera. Todos percebemos a diferença entre abraços formais e aqueles que realmente contém significância.

- Se não puder estar presente, liga para a pessoa em vez de mandar um torpedo de “feliz aniversário”. Lembre-se: a generosidade demanda tempo e atitude, e qualquer pessoa saberá reconhecer seu gesto, por menor que seja.

- Uma lembrancinha inesperada, um abraço gratuito, um sorriso sincero; um "muito obrigado por limpar minha sala" para a tia da limpeza, juntamente com uma florzinha; aquela atenção especial para alguma criança. 

- A caridade, a bondade, dar a vez para alguém, abrir uma porta, carregar uma sacola de compras, acompanhar alguém numa rua deserta até seu carro,....

- E com o porteiro, o "guardador de carro", o policial, o amigo do trabalho, um desconhecido em situação de ajuda, tantas pessoas, cada uma, uma oportunidade de ser generosamente gentil!

Muitas outras coisas podem ser feitas, com muita criatividade. Pense em quantas oportunidades surgem para ser voluntário em alguma causa, ou em algum projeto, ou ainda em alguma missão especial. Crianças, jovens, adultos, idosos, todos poderão se beneficiar de sua atitude. Afinal, todos sabemos, o amor é o que o amor faz!

Mas lembre-se, independente de quem seja o alvo de sua generosidade, o maior beneficiário será você mesmo! Por isso, termino falando de uma pessoa que não tinha casa, não tinha grana, não tinha meio de transporte pessoal nem maiores bens materiais. Apesar disso, ninguém nunca conseguiu ser tão generoso quanto ele, marcando a vida de tantas pessoas que já não se podem contar. Ele não comprou um único presente de Natal nem de aniversário para ninguém. Ainda por cima, dividiu o pouco que possuía e soube multiplicar o que não tinha. Sua imagem era a da mão estendida, do abraço fácil, do tempo para sentar e conversar com gentileza, apesar de saber colocar os impostores em seu devido lugar. Sua visão eram as pessoas, o que cada uma delas era e nunca o que possuíam.

Ele conseguiu fazer com que prostitutas se tornasse dignas e reis se sentissem desprezíveis. Seu toque era como seu olhar, firme e gentil. Os materialistas de seu tempo o rejeitaram, pois ele não comprava ninguém e tampouco se vendeu para quem quer que fosse. Ele foi o amor encarnado em atitudes de generosidade. E finalmente, quando se esgotaram todas as possibilidades e nada mais havia a ser feito, ele entregou sua própria vida. Ele foi, ele é, e ele será sempre o Natal Encarnado, o Cristo, Emanuel, Deus conosco.


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