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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Café com rapadura

Caríssimos irmãos do caminho,
A eucaristia foi ótima, bolo de fubá, rapadura e café.

Li hoje pela manhã uma frase que entendo fazer sentido para voces, lembrando-me de nossa prosa com rabiscos. Está em um livro que comecei a ler: 'a fantástica vida breve de Wao' - do autor dominicano Junot Diaz:

"- As mudanças desejadas nunca são as que mudam tudo". Faz sentido?

Lembrando de nosso papo, deixo correr o risco solto, alimentando idéias e ideais.

A fria e, para nós curitibanos, surpreendente pesquisa do IBGE, nossos devaneios e apostas, profecias incipientes, possibilidades partindo da resiliência de cada um, cenário com matizes apocalípticas e horizontes infinitos, realidade compreendida mas perdida; o desenho do Brabo 'pronto pra beber', ver os filhos a crescer, filhos crescidos; as ocupações de tantos espaços públicos, mas a percepção do espaço íntimo intacto nesta selva existencial. Tudo isso e mais um um pouco vai tomando todo tempo da gente, surpreendendo e nos movendo numa direção, como um tsunami que a todos leva. Mas é possível resistir.

Paulo, você disse que eu e o Cláudio somos uma amizade improvável: concordo, e mais, somos três amizades improváveis, nestes tempos onde qualquer amizade verdadeira é improvável: temos "fontes", temos "contatos", "curtimos" uns aos outros, as redes sociais denunciando a superficialidade de nossas relações. Mas Jesus vem e escandaliza nossos interesses, subverte nossa agenda, provoca comunhão entre pecadores casca grossa, pesca em mar estéril e alimenta multidões com peixes igualmente improváveis. Aí está o mistério, a subversão da ordem pelo posicionamento diante de uma proposta ainda mais improvável: a gentileza, que é o amor traduzido em atitudes.

Ser gentil é permirtir-se ser ocupado e possuído, mas jamais violentado; é ser manso sem ser fraco, ser humilde sem ser chato, ser justo sem ser violento.

A gentileza não é um estado de espírito, mas uma atitude com propósito, a revolução silenciosa e interior que quebra estruturas e subverte ordens, gostos, preferencias pessoais. 

Ser gentil é aceitar sem condescender e poder viver sem explicações pra todas as coisas, sem provas ou teses, sem apostas, apenas ser o que é possível e aceitar o possível do outro ser.

Ser gentil é aceitar a surpresa e o mistério. É saber ouvir. É saber pensar depois de ouvir. É escolher agir depois de pensar e não reagir sem pensar.

Gentileza é abrir mão de se ter respostas para tudo, é saber-se limitado, incapaz de resolver todos os problemas. É escolher a simplicidade e a alegria de poder debater sem precisar vencer!

Ninguém é gentil sozinho, ninguém ama sozinho. A gentileza, assim como o amor, precisa do TU para dialogar com o EU, em um equilíbrio dinâmico, não estático. Ser gentil é saber  e poder ajustar o fulcro da balança para o próximo não ser prejudicado. Na essência, o amor é gentil, pois escolhe se relacionar, sem se importar em esvaziar-se para isso. Sem medo, sem maiores expectativas, dando-se sem esperar nada em troca, pisando o chão da humanidade de cada um.

Bom, talvez aí esteja o desafio e a chave da gentileza: retirar seu conteúdo comercial, de troca, e simplesmente ser gentil. As mudanças que mudam tudo não são aquelas desejadas, mas as apreendias. O mistério da verdadeira revolução está no escândalo de Dulcinéia para seu D. Quixote:

"Tapas e abusos eu posso levar e devolver, mas a ternura eu não posso suportar!"

Eu também preciso ser gentil. Obrigado pelas horas, meus amigos!

Um comentário:

  1. Ah, gentileza... kindness... um bem precioso! Vi um filme domingo 'a noite, do Hallmark channel, "Have a little faith": a amizade improvavel entre um judeu e um presbiteriano ex-dorgado/traficante. Mesma licao de vida. A mensagem e' geral. Abracos.

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