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quarta-feira, 18 de maio de 2011

TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS



When the fear of failure creeps up on me: Start Early, Fail Fast, and Start Again!

(artigo recebido por estas correntes da Internet, que eu apenas dei uma ajeitada aqui e acolá, baseado no livro “Broken Windows” by James Q. Wilson and George L. Kelling).

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas em uma via pública. Eram duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e cor. Uma foi deixada no Bronx, em uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma região rica e tranquila da Califórnia. De um lado, duas viaturas idênticas abandonadas em dois bairros com perfis muito diferentes e do outro uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada lugar.

A viatura abandonada no Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as janelas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, “da direita e esquerda”. Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada no Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o do Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porquê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de ‘pobreza’. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, gerando um sentimento de ausência de lei, de normas, de regras, criando um sentimento de que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas': a teoria conclui que, de um ponto de vista criminalístico, o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.

Se um vidro de uma janela de um edifício se quebra e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali será o foco de delitos.

Se 'pequenas faltas' são cometidas (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então faltas maiores vão surgindo e logo delitos cada vez mais graves. Se atitudes violentas são aceitas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por medo de gangues ou grupos delinquentes), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes, gerando um círculo vicioso.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual havia se convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: pixações deteriorando o lugar, sujidade das estações, embriagues, evasões ao pagamento de passagem (fura-catraca), pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, Prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana.

O resultado prático foi uma enorme redução em todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' pode soar como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia; de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero!

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e de dos códigos básicos da convivência social humana.

Após quarenta e dois anos daquele experimento (1969), quais lições não foram aprendidas? Por que? Certamente existem fortes indícios de que o abandono, o descaso e a falta de ação estratégica dos governantes servem aos interesses dos grupos que se alternam no poder.

O medo é muito mais lucrativo que a paz.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos aze-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa).

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