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quarta-feira, 25 de maio de 2011

O homem entre as marés / A Bacia das Almas















Prezados,

Sobre a questão da Homossexualidade, em meio a tantos textos e pretextos, discursos inflamados e palpites idiotas de todos os lados, reproduzo as linhas abaixo (devidamente autorizada pelo Paulo). É uma abordagem diferente e desafiadora. "amor, explica ele, é a expressão mensurável de comportamentos não-condicionados". Ou, quem sabe, o amor é reflexo.

Gustavo.


O homem entre as marés - Paulo Brabo

Posted: 24 May 2011 03:15 AM PDT

Todo discurso tem algum potencial para gerar a polarização, mas reservamos para alguns uma potência tanto particular quanto arbitrária. Assuntos que despertam opiniões ao mesmo tempo inflamadas e opostas são em geral os assuntos que convém evitar. Em nome da paz ou da covardia, é simplesmente mais fácil não falar sobre eles, sob o risco de acender a indignação de gente que habita com muita convicção cada um dos polos que se condenam.

Porém também é verdade que não elegemos os discursos polarizadores ao acaso; os assuntos que elegemos como polêmicos revelam muito mais sobre nós do que gostaríamos. Se você acha de fato importante saber e discutir em que ponto de um ser humano adulto outro ser humano adulto escolhe colocar o seu órgão sexual, na intimidade de seu quarto e em seu tempo livre; se é a esse tipo de investigação criativa que você está ponderando dedicar uma parte substancial do seu tempo, esse é problema sexual seu. Como uma vez aprenderam homens respeitáveis ao redor de uma mulher adúltera, o comportamento verdadeiramente inquietante é o que faz da sexualidade do outro uma bandeira e um problema para si mesmo. É aqui que jaz a verdadeira perversão.

Porém o problema com os discursos polarizadores é que aparentemente não há como apaziguar a tensão que produzem. Se você deixa de se pronunciar a respeito, nada de fato muda e a tensão permanece; se você escolhe se pronunciar, tudo que consegue fazer é atiçar a fogueira, demarcando e acentuando a distância entre os grupos antagonistas.

Eu mesmo tenho opiniões muito severas a respeito desse e de outros assuntos, e já achei que a mera exposição de minha iluminada opinião poderia contribuir para mais do que meramente acentuar o problema. Outros já pensaram como eu. Porém, como descobriu Pedro diante de um auditório de incircuncisos, nossas convicções podem muito bem ser redimidas – isto é, revistas – pelas nossas histórias.

O propósito desta nota é contar o que sei a respeito de um homem, Andrew Marin, e que sei porque já o vi contando essa história muitas vezes.

Andrew (americano, sorridente, atarracado, popular, desportista amador) foi até seus anos de ensino médio um cristão convicto e um homófobo militante, daqueles que se rebaixam sem hesitação à intimidação física e verbal. Não deve haver dúvida, do mesmo modo, de que Marin entendia essas duas vocações (seu cristianismo ardente e seu desprezo ativo pelos homossexuais) como manifestações de uma mesma paixão pela verdade.

Sua vida teria sido mais simples se na época de colégio seus três melhores amigos de infância (duas garotas e um rapaz) não tivessem confiado nele o bastante para fazerem, um a um e sem saberem um do outro, a mesma confissão: Andrew, posso te contar uma coisa? Por favor, não conte pra ninguém, mas eu sou gay.

Foi assim que, num intervalo de três meses, Andrew Marin encontrou-se pela primeira vez com seus três únicos amigos e, como bom cristão, cortou todo laço com eles. Perdeu-os porque eram homossexuais.

Marin mergulhou num estado de profunda e sinfônica perplexidade. Seu mundo havia sido miseravelmente subtraído debaixo de seus pés, e ele passou a requerer do seu Deus e da sua Bíblia uma explicação e uma solução. Ele queria de volta o mundo das suas seguranças anteriores, e exigia que Deus lhe revelasse uma razão, uma secreta justificativa para a tristeza que estava sentindo.

Deus não lhe deu uma resposta, mas o homem creu ouvir na escuridão:

– Andrew, o que você deve se perguntar é como devem ter se sentido os seus amigos, crescendo com você durante todos esses anos: os amigos que, sabendo que você se mostrava em tudo abertamente contrário ao que eles são e ao que representam, escolheram permanecer seus amigos.

Desta caverna emergiu um homem absolutamente notável. Marin decidiu que sua vida deveria servir de ponte entre dois discursos altamente incompatíveis, o dos conservadores evangélicos norte-americanos e o da exuberante comunidade homossexual de seu país. Ele refez o trajeto, pediu perdão a seus amigos e mudou-se para o bairro gay da sua cidade, Chicago, onde reside com a esposa há mais de dez anos. Ali Marin vive, permanece disponível e promove reuniões não-ortodoxas em lugares absolutamente não-ortodoxos, ao mesmo tempo em que organiza os movimentos de uma pequena mas ambiciosa fundação.

Tendo em vista a perene discussão a respeito de até que ponto a orientação homossexual é uma escolha ou um destino, Marin achou melhor subverter os raciocínios subjacentes e adotou como lema a frase O amor é uma orientação, que é também o título de seu livro. Para Andrew Marin, iluminado pelo que vê no sol dos evangelhos, o amor é que é, sem espaço para discussão e em todos os sentidos, uma inescapável orientação. Neste clima e neste momento da história isso implica que os cristãos devem amar formidavelmente e exuberantemente os homossexuais.

Mas na boca de Marin isto não se limita ao batido discurso de odiar o pecado e amar o pecador. Para começar, quando perguntado, Marin recusa-se a dar respostas simplistas e polarizadoras para as perguntas mais quentes que cercam a questão. Ele explica que aprendeu com Jesus a não dar respostas simples para questões complexas, e essa sua postura (precisamente como no tempo de Jesus) desperta por vezes a indignação de gente dos dois lados do muro.

Para muitos conservadores evangélicos, Marin é uma abominação e seu ministério é uma farsa porque, apesar de se apresentar como conservador, ele se recusa a admitir com todas as letras e enfatizar o que eles enxergam como essencial: que a conduta homossexual é incontornavelmente pecaminosa e que não há conjuntura em que ela possa ser considerada aceitável diante de Deus e dos homens. Semelhantemente, para muitos na comunidade homossexual Marin é uma falso amigo e um propagandista infiltrado, porque apesar desse papo de amor ele se recusa a admitir com todas as letras o que eles enxergam como essencial: que a conduta homossexual entre adultos é coisa legítima, íntegra e sã, que merece a celebração dos homens e as bençãos da igreja tanto quanto qualquer relação heterossexual.

Andrew Marin é esse homem que deixa-se queimar entre os extremos, lutando centímetro por centímetro para promover o diálogo sem contribuir para acentuar uma distância que como está já é paralisante. Marin tornou-se um gigante porque teve de fato um bom professor, e aprendeu com o Jesus dos evangelhos que um discurso polarizador não deve ser jamais alimentado. Todo discurso aplicado ao extremo (e os discursos tendem aos extremos) gera esterilidade, hostilidade e desumanização. A ferida dos ódios resultantes só pode ser estancada pelo remédio do amor – o amor que é uma orientação: ao mesmo tempo uma escolha e um destino.

E é de Marin a definição mais fulgurante de amor que jamais ouvi: amor, explica ele, é a expressão mensurável de comportamentos não-condicionados. Permita-me repetir: amar é prover expressões mensuráveis de comportamento não-condicionado. Proponho que façamos todos nós uma tatuagem muito visível e incômoda com essa frase; só depois de recitá-la solenemente para nós mesmos ganharíamos o direito de atirar a primeira pedra.

De que forma Andrew Marin dá evidência desse amor não-condicionado? Ele vive há uma década entre gente que não compreende e não tem ferramentas para compreender. Ele os defende diante de gente que os considera indefensáveis, e recebe a condenação dos que está defendendo porque acham que ele não está indo longe o bastante. Cada um a seu modo, os dois lados acham insuficiente a proposta de amor de Marin. Mas o maluco, o insensato, continua amando.

Nos Estados Unidos, cristãos que frequentam as passeatas gay costumam fazê-lo para levar cartazes que dizem coisas edificantes tipo DEUS ODEIA BICHAS ou VÃO ARDER NO INFERNO. Andrew Marin e seus amigos vão a essas passeatas com cartazes que dizem apenas I’M SORRY – e pedem a quem quiser ouvir desculpas por todo o ódio que já foi derramado sobre os homossexuais no nome daquele que nada tem a ver com o ódio.

Por trás dessa sua singeleza, dessa impertinência de Marin em amar o inimigo tido como o mais desprezível, espreita uma subversão ainda maior: a ousadia de sugerir que um cristão não deve ser capaz de extrair sua identidade de algo que não seja o amor. Para esse pequeno americano, não somos cristãos quando confessamos, quando escolhemos o mesmo adversário ou quando concordamos a respeito de alguma doutrina; somos cristãos enquanto afirmamos teimosamente, sempre em atos mais do que palavras, a supremacia do amor.

É claro que ninguém dá ouvidos ao cara, porque seu ministério é pequeno e sua proposta insensata. Se amar for de fato prover expressões mensuráveis de comportamentos não-condicionados, quem se mostrará pronto a amar? Porque, se for assim, amar não seria você aprovar a conduta de dois caras sentados de mãos dadas no banco da sua igreja, mas seria você respirar fundo e não condená-los por eles estarem ali. Amar não seria você concordar com as posturas do Ricardo Gondim a respeito de qualquer assunto, mas seria concluir que o seu compromisso mútuo com o amor basta para vocês continuarem juntos debaixo de um mesmo teto editorial. Essas seriam expressões genuínas de comportamento não-condicionado. Porque quando não estamos defendendo o amor estamos defendendo meramente a nossa convicção, ou pior, a nossa reputação – e até os pecadores fazem o mesmo. Qualquer homossexual poderia nos ensinar a amar mais e melhor.


Muito mais sobre Andrew Marin, sua história, seu ministério e sua sacrossanta insensatez, aqui (em inglês):
Love is an orientation


quarta-feira, 18 de maio de 2011

TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS



When the fear of failure creeps up on me: Start Early, Fail Fast, and Start Again!

(artigo recebido por estas correntes da Internet, que eu apenas dei uma ajeitada aqui e acolá, baseado no livro “Broken Windows” by James Q. Wilson and George L. Kelling).

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas em uma via pública. Eram duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e cor. Uma foi deixada no Bronx, em uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma região rica e tranquila da Califórnia. De um lado, duas viaturas idênticas abandonadas em dois bairros com perfis muito diferentes e do outro uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada lugar.

A viatura abandonada no Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as janelas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, “da direita e esquerda”. Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada no Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o do Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porquê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de ‘pobreza’. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, gerando um sentimento de ausência de lei, de normas, de regras, criando um sentimento de que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas': a teoria conclui que, de um ponto de vista criminalístico, o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.

Se um vidro de uma janela de um edifício se quebra e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali será o foco de delitos.

Se 'pequenas faltas' são cometidas (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então faltas maiores vão surgindo e logo delitos cada vez mais graves. Se atitudes violentas são aceitas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por medo de gangues ou grupos delinquentes), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes, gerando um círculo vicioso.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual havia se convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: pixações deteriorando o lugar, sujidade das estações, embriagues, evasões ao pagamento de passagem (fura-catraca), pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, Prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana.

O resultado prático foi uma enorme redução em todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' pode soar como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia; de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero!

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e de dos códigos básicos da convivência social humana.

Após quarenta e dois anos daquele experimento (1969), quais lições não foram aprendidas? Por que? Certamente existem fortes indícios de que o abandono, o descaso e a falta de ação estratégica dos governantes servem aos interesses dos grupos que se alternam no poder.

O medo é muito mais lucrativo que a paz.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos aze-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Conselho no Valentina


No dia quatro de maio, em uma noite com ares de boemia, reuniram-se algumas figuras que andaram perturbando a Gazeta do Povo por uns tempos. Como adolescentes animados, a turma de Conselheiros lideradas por D. Newton Juan de Castels ficou muito à vontade em uma mesa no tradicionalíssimo point Valentina – um Bar daqueles bem ao gosto de Noel, o Rosa, que há 74 anos falecia em Vila Isabel.

Além do Newton Froés, o anfitrião Fabio 'Valentina' nos recebia em sua casa, devidamente acompanhado de sua amada Cibele, amor dos tempos da faculdade. Adriane de Aragon e Gustavo Brandão completavam o grupo do ex-Conselho da Gazeta do Povo, edição 2010-2011. Animada, a noite reservava uma surpresa para o final.

Conversamos sobre efemérides e nossa passagem pela GP. O Fabio, que não sossegava, parecia possuído pelo espírito noelino, e por pouco não gritamos com ele...

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa...
(NR, Conversa de Botequim)!

Umas caipirinhas ali, uma cervejinha aqui, fomos de mandioquinha em mandioquinha, selecionando os bacons fritos ao ponto, trocando impressões e falando verdades inquestionáveis. Assim, como em toda mesa de bar, todas as falas são verdades, todas as sentenças, sérias.

Das verdades inquestionáveis a primeira: Bin Laden está vivo e sendo torturado em um porão americano, onde fica escutando Britney Spears e Justin Bieber 24hs por dia.

Uma outra, é que o papel de Conselheiro da GP foi ótimo para os Conselheiros, porém, inócuo para a Gazeta. As reuniões foram sensacionais, os anfitriões tremendamente educados e gentis. Todos incorporamos bem o ‘espírito crítico’ da função solenemente delegada, mas, francamente, uma mandioquinha a mais e um gole na estupidamente gelada cerveja, de nada adiantou: A GP mantém-se, como certa Assembléia do Paraná, impassível diante das críticas!

O papel do Conselho, desta forma, torna-se a cada dia um imbróglio cada vez mais complicado, um filho do Coronel com a escrava, que vive na obscuridade da senzala, naquela ambiguidade paradoxal. Melhor seria dissolver esta associação de homens e mulheres cada vez mais sérios diante de copos vazios e contratar logo um Ombudsman. Isso é que dá, boteco com Nietzsche!

A turma, porém, reconhece: em termos de hospedagem, a GP é imbatível! Fomos muito mimados! Ter sido ‘eleito’ para o Conselho, e as assinaturas de presente e outros mimos e agrados tornaram-se parte de nosso patrimônio existencial. E o melhor, as amizades semeadas, que apenas o tempo dirá se darão seus frutos, são o maior ganho nesta caminhada. Saúde!

Quando o Fabio finalmente sentou e levou um olhar cruzado de Cibele, percebendo nossa cara de fome e a travessa de mandioquinha com marcas de dedos denunciando a busca pelas últimas migalhas, pediu: - Que venha o Tagliateli, o macarrão Barcelona! Pois bem, macarrão mesmo – “Massa” é frescura de restaurante metido a chique.

O serviço de bordo limpou os traços da conversa anterior e logo o macarrão chegou, acompanhado de um Malbec Santa Helena. A gravidade do momento pedia um silencio respeitoso, quebrado apenas quando o Fabio resolveu defender a Lei e a Ordem. Foi a senha para que todos à mesa, exorcizando Noel, começassem a cantar, “Salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz...”, e por aí foi, para o olhar atônito de um público que não fazia a mínima idéia do que era a canção. Outros tempos.

Para fechar a conta, a surpresa: o Fabio não deixou ninguém pagar. Dada a nossa insistência, ele saiu-se com esta: “no meu aniversário, então, eu pago – combinado?” Sim, Ok, todos concordaram. “Então, hoje é o meu aniversário – eu pago”! E era mesmo!

Parabéns pra você, nesta data querida! E tem mais: - muitas felicidades, muitos anos de vida! Assim, o encontro terminou animado. E já combinamos: dia 04 de junho, novamente nos encontramos, aqui mesmo no Valentina, à noite: Eduméia, Ramiro e Jacir: até lá! Marisa, você é hors concours!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sopa de Pedras: como você resolve seus desafios



Certa vez o Pedro Malazartes resolveu fazer uma sopa. Mas, pobre que era, não possuía nenhum ingrediente. Mas possuía sua criatividade.

Juntou umas pedras, pegou uma panela, encheu d'água e fez um fogo na frente da casa de uma senhora, que não entendeu nada. Água fervendo, colocava de vez em quando uma pedra. Ficava olhando a fervura, e com o canto dos olhos, a mulher. até que esta, não aguentando de curiosidade, veio perguntando: 'o que é que voce está fazendo?'
- Uma sopa de pedras, ele disse, para perplexidade da mulher.

Mas nunca vi uma coisa dessas... e essa sopa ficaria bem melhor se tivesse uns temperinhos, disse a mulher. Como o Pedro não tinha nada disso, ela foi em casa e trouxe. O cheirinho subiu tão gostoso que Pedro falou: "ahhh, se tivesse aqui um chouriço...!" Eu tenho um pedacinho lá em casa, correu a mulher, já voltando com suas ervas. E a conversa assim foi, Pedro falando e a mulher correndo: paio, pimentão, cenouras, batatas, cheiro-verde, alho, a cada pedra, uma colherada, bem poderia mais um pouquinho de... até que a mulher gritou: O Sal, estamos esquecendo o sal! Agora sim!

Sopa feita, pedras lançadas fora - era só pra dar o sabor diferente, disse Malazartes, sério, com cara de quem acabou de servir a eucaristia. Alimento servido e apreciado: seu Pedro, o senhor tem que me passar esta receita, disse a mulher, passando o pão no fundo do prato.

Com certeza! Mas antes, a senhora teria aí por acaso um pouquinho de café??

A sopa de pedras, com sua metáfora de esperteza, mas acima de tudo, de criatividade, deixa uma lição para todos os reclamões da vida. A pior coisa do mundo são pessoas que sempre possuem uma desculpa para não fazerem o que precisa ser feito. Quem quer alguma coisa, encontra um jeito. Quem não quer, uma desculpa.

Assim acontece nos relacionamentos, no trabalho, na educação. Encontrar soluções ou pelo menos buscar soluções é o espírito de quem deseja progredir, avançar, não se conformando com obstáculos, ameaças ou previsões pessimistas. Se algo precisa ser feito, basta encontrar uma forma - ou inventar!

Os derrotados, acomodados, pessimistas, conformados, subjugados, alienados, ou simplesmente preguiçosos vão buscar desculpas e se esconder atrás delas. Para estas pessoas, nada serve. São as que mais reclamam, mais criam caso, mais se ressentem, mais ficam melindradas e se fazem de vítimas. São uma tristeza.

Porém, se voce tiver apenas pedras, água e fogo, ainda assim poderá descobrir uma forma de preparar uma excelente sopa! A criatividade é diretamente proporcional à falta de alternativas: quanto mais difícil for uma situação, maior criatividade ela vai demandar para as pessoas que desejam encontrar um caminho.

Você sempre poderá escolher fazer parte da solução, ou será inevitavelmente parte do problema.