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quinta-feira, 7 de abril de 2011

RJ - Quem puxou aquele gatilho?


Realengo, 07 de abril de 2011. Candelária, 23 de julho de 1993. Rio de Janeiro.

Em se tratando da Educação, o que mais falta acontecer no Brasil?

Esta tragédia no RJ cala qualquer tentativa de explicação. É (por que ainda está acontecendo, o tempo para diante dos dramas da humanidade) uma metáfora aguda que vem sendo semeado através de gerações, em nosso país.

Um homem com uma arma, outros homens com suas canetas, todos com poder de vida e morte sobre as pessoas, dispostos a matar um, dez, cem, milhares!

Cada um deles carrega em suas armas a munição de suas justificativas.

Cada um deles é movido por interesses de ganho pessoal e alucinações de poder. São alimentados por um Estado que os leva insidiosamente a radicalizarem para se servirem depois do caos.

Cada um deles serve-se do descaso da maioria, que grita diante das tragédias pontuais, mas se omite em silêncio, diante das safadezas do dia a dia de seus governantes. No fim, buscam também apenas seus próprios interesses.

Não existem ideologias que justifiquem a barbárie.

Desta forma, quem puxou aquele gatilho?

Foi o Wellington M. O., que irá para as páginas policiais por um bom tempo e renderá dividendos para alguns veículos de comunicação que lucrarão com os picos de audiência negociados. Há de se lucrar, mesmo com o sangue alheio, esta é sua lógica maquiavélica e pragmática. A droga da notícia ruim emburrece e enriquece.

Foi o Estado Brasileiro, que se omite há gerações de governantes, em um pseudo-rodízio partidário democrático. Você só pode escolher aquilo que o governo permite. As escolas são mantidas como abatedouros: vidas, sonhos, projetos, atletas e nobéis em potencial que são dizimados anualmente por políticas públicas que privilegiam apenas a manutenção do gado selecionado para alimentar a fome inesgotável do mercado.

Foi você, que lê estas linhas; fui eu, que as escrevo: podemos não ser culpados, mas somos responsáveis pelas pequenas ações e omissões do dia a dia que potencializam as violências até substantivá-la. Perpetuamos e reproduzimos os condicionamentos político-culturais, retroalimentados por nossa indolência cinicamente disfarçada de cordialidade. Justificamos a violência quando ela nos favorece, sorrisos de vingança nos lábios, mas damos as costas para o sofrimento alheio quando não nos atinge.

São as instituições religiosas, nova-era, pseudo-científicas, espiritualistas: americanas, européias, asiáticas, tribais ou africanas... seitas, grupos, movimentos. Quem transforma princípios universais de convivência solidária em regras duras, inflexíveis, preferindo muitas vezes defender a criação que a criatura. Levam as pessoas a se tornarem ‘radicais-do-meu-ponto-de-vista’, dando a elas munições com o pior dos argumentos, o religioso ou ideológico, com um sentimento de investidura divino: bala na agulha!

São os ateus e cientistas que cultuam religiosa e dogmaticamente a razão. Não deixam espaço para o inexplicável, o mistério, engessando o homem com os dogmas da razão. Transformam uns aos outros em divindades auto-suficientes que podem fazer o que bem entenderem, escondendo-se nas barras da ciência, a panacéia para todos os males.

É preciso despertar, é preciso caminhar, é preciso coragem para enfrentar o espelho todos os dias.

Escolho, apesar de tudo, olhar com fé o futuro e não me render à indiferença ou ao desespero, as opções oficiais.

Escolho a mão estendida, o sorriso da criança, a flor que insiste em brotar no meio do concreto, o renovo em meio à mata queimada.

Escolho o caminho, escolho a verdade, escolho a vida.

Escolho caminhar com esperança, pois um dia chegarei no meu destino, em paz. Ali, encontrarei os amigos do caminho.

2 comentários:

  1. Amigo Gustavo,
    No dia a dia sempre lembro de sua frase "Generosidade e Simplicidade".

    Como é difícil praticá-la.

    Entretanto percebo que sempre que a pratico recebo mais que entrego.
    Ramiro

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  2. Caríssimo, mais do que nunca, itens essenciais em nossa cesta básica...

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