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quarta-feira, 2 de março de 2011

A igreja nas ruas


Interrompo a série "Princípios do Caminho" e hoje comento um episódio lamentável ocorrido recentemente em Porto Alegre.

Hoje, ao participar logo mais do início da 'bicicletada' em Curitiba, em apoio ao grupo Massa Crítica de Porto Alegre, que teve muitos participantes atropelados, pensei na igreja.
(interessados: http://www.facebook.com/event.php?eid=199205033441144&index=1 )

A loucura daquele motorista gerou uma onda de solidariedade, muitas cidades do Brasil e da A. Latina fizeram pedaladas ou as estão programando. Fazer diferença, ser sal e luz, acontece principalmente nessas horas, e não dentro dos templos, que podem ser eventualmente comparados a um carro nas mãos de um motorista maluco. E o pior é que a atitude daquele condutor foi presenciada pelo passageiro ao seu lado, seu filho de quinze anos. Ficará para sempre a imagem em sua mente, a do pai atropelando um grupo de ciclistas...

A igreja deve estar junto. Por que?

Em primeiro lugar, é nas ruas que Jesus andava, ensinava, vivia, escolhia pessoas, desafiava o trânsito de sua época e convidava os apressados a pararem e refletirem sobre suas vidas. Era no caminho, nas estradas, que ele confrontava as forças do mal. Como discípulos, temos um compromisso com nosso Mestre, afinal, ele é o Caminho - logo, devemos estar n'Ele!

Em segundo lugar, a ação daquele motorista reflete uma situação mais radical, de raiz, de origem: ele é apenas mais um que não aceita as diferenças. Ele se julga no direito de literalmente "atropelar" quem estiver impedindo sua passagem. Da mesma forma, muitas pessoas atropelam umas às outras por interesses de cargos, posição social, projeção, vaidades, consumo,....

Atropeladores não aceitam as diferenças de raça, de condição sócio-econômica, de sexo, de idade, de transporte, de religião, e saem por aí passando por cima dos que são ou estão diferentes, usando sua posição, jogando-os para a beirada do caminho, para as periferias das cidades, das instuições, da vida.

Quem é, pensa e age diferente, quem anda no Caminho, corre riscos na frente dos trogloditas existenciais, travestidos de qualquer função, dirigindo veículos ou instituições de qualquer natureza, até mesmo algumas religiosas, como bem alertou nosso Mestre.

Convido voce a parar, pensar, refletir na sua caminhada. Você está no caminho, andando com o Mestre, ou dentro de um carro, dirigido por um louco?

2 comentários:

  1. Gustavo, bacana seu post e mais ainda sua participação na bicicletada em solidariedade.
    Precisamos refletir que a aberração é o automóvel.
    Se cada indivíduo pudesse ter um automóvel, os 7 bilhões de carros acabariam com todos os recursos da terra.
    Ainda não percebe,mos que o modelo de transporte baseado em automóveis está ultrapassado.
    Espero que o evento faz surgir outras reflexões como as suas. RAMIRO

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