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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Segurança



Filhota, o importante não é saber onde você está, mas quem está com você. É isto que nos dá segurança!
Disse isso recentemente para minha filha, que se prepara para passar um semestre na Alemanha.

Certa vez estava caminhando pela mata amazônica, distante de todas as pessoas. Envolvido em um projeto ecológico com a WWF, passava a maior parte do tempo apenas com mais uma pessoa, um mateiro, dormindo em redes, sendo comido pelos insetos, alimentação precária, esforço físico acentuado, uma delícia! Ficávamos de dez dias a duas semanas nessa atividade.

Numa tarde de folga, sozinho, resolvi caminhar por outras trilhas na mata quando me deparei com um grupo de macacos, que faziam uma algazarra. Eles estavam muito agitados, e logo descobri por que: uma espécie de gavião “pega-macaco” perseguia o grupo pelo topo das árvores. Passei a acompanhar a movimentação, com binóculos, observando a estratégia do gavião contra a dos macacos.

Tudo ia bem, até que resolvi parar e me situar no terreno. Percebi, então, que havia me distanciado da trilha e estava completamente perdido. É fácil se perder na floresta amazônica, o terreno abaixo das árvores é aberto o suficiente para você sair da trilha sem perceber. Olhando a maior parte do tempo para cima, foi o que aconteceu. Deixei então os macacos preocupados com seu gavião irem embora, pois pareciam me levar cada vez mais mata adentro.

Eu estava em uma reserva, numa área quadrada, onde um dos lados dava para a mata fechada e os outros três faziam divisa com uma região desmatada – na verdade, era um ‘dente’ de mata que foi poupado. Este era o objetivo de nossos estudos, verificar o impacto do desmatamento no ecossistema, em diferentes tamanhos e tipos de reserva. Eu trabalhava com aves. E agora estava perdido.

Tentei, por um par de horas, uma estratégia: andar em linha reta por vários minutos e depois mudar de direção. Fui estendendo os minutos, tentando fazer uma navegação na mata, buscando encontrar alguma árvore marcada. Usávamos fitas plásticas coloridas para marcar a trilha, já que nem sempre ela era perceptível.

Caminhei até perceber que não estava dando resultado. Parei, sentei, tomei uma água do cantil, avaliei minha situação, fiz uma oração, me acalmei. O dia entrava em seu quarto final, sabia que existiam poucas horas de luz, não seria agradável dormir fora da segurança de nosso acampamento. Então, tomei minha decisão: pegaria uma direção, tentando deixar o pouco do sol que era visível dentro da mata, em uma determinada posição, e seguiria até onde fosse possível.

Ou eu encontrava a marcação da trilha, ou sairia por um dos lados da reserva, ou então entraria cada vez mais mata adentro – de onde provavelmente não sairia mais...
Depois de mais de uma hora de caminhada, não encontrei a trilha. Mas encontrei uma área mais clara à frente, que revelou ser um dos limites da reserva onde estava. Aí foi fácil, bastava agora caminhar, margeando a reserva até encontrar a entrada da trilha que levava ao acampamento – na verdade, uma área suficiente para estender duas redes e fazer um fogo seguro junto a um igarapé. Esse era o nosso ‘lugar seguro’ no meio da Amazônia!

Percebi que manter a calma em uma situação de desorientação é fundamental. Estava quase entrando em pânico quando me acalmei e entendi que não estava sozinho. Sentindo a presença de Deus ao fazer uma oração, me tranqüilizei, e pude me aclamar e pensar com calma. Não vi nenhum anjo, nem tampouco um macaco-guia apareceu e me mostrou o caminho. Apenas percebi que Deus estava comigo, e que eu encontraria um caminho. Em situações limites, estar com alguém que te dá segurança é fundamental.

Mesmo se caísse a noite, como muitas angústias que caem sobre nós ao longo da vida, eu sabia que poderia passar por ela. Ter esta confiança não é arrogância, mas dependência. Dependência não é fraqueza, mas coragem para confiar. E a coragem não veio pelo desespero cego de quem não tinha alternativa, mas devido a experiências anteriores com Deus. Caminhar com Deus, na tranquilidade do dia a dia, nos prepara para os momentos de crise ou desafios que eventualmente surgem. A experiência nos leva ao conhecimento do caráter de Deus. Em Deus estamos seguros.

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