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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Esperança


Este texto é de minha mãe. Fevereiro é aniversário de meu pai (19/02), e mereceu uma reflexão de mamãe, sempre sábia em suas palavras. Com mais de cinqüenta anos de casamento, eles são teimosos: insistem em permanecer juntos, contra a tendência emburrecida e paranóica da sociedade em geral, que surta pela novidade e aposenta relacionamentos como quem joga fora um caroço de manga, depois de extrair seu último doce.

É um olhar apreensivo, mas também esperançoso, sobre a época atual, trazendo lembranças de um outro tempo. É preciso reagir. Achei lindo, pertinente, por isso compartilho com vocês, começando 2011 com uma excelente reflexão! Vejam abaixo.



Esperança

Meditando neste mês de niver do 'Seu' ADOLPHO:
Do que precisamos?

Esperança: o melhor presente, porque conduz a fé e ao trabalho, para o futuro deste chão, que A. Barroso disse numa bela canção “... que é grande e feliz”. Do seu tamanho ninguém pode duvidar, mas quanto à felicidade, por mais que seja cantada em prosa e verso, penso que anda longe, pois a felicidade é algo sólido, palpável e a alegria é líquida, que escorre entre os dedos, se vê em toda parte, mas, como diz Darcy Ribeiro: “um dia acaba dando certo!” Há de dar, penso eu, que há muito fiz opção pela utopia. Gosto de pensar no verso de Keats: “A thing of beauty is a joy forever” - mesmo pequenina!

Os anos são como pássaros. Voam. Alguns passam tão longe, outros bem rentes de nós. O tempo passa? Passa e fica: modifica. Porque se transforma em história, a nossa, com lágrimas, alegrias, sorrisos e sonhos.

Não, não falarei dos poucos que tem tudo e da multidão que nada tem. Quero falar da natureza cuja beleza e bondade nos enche de vida. Amemos tudo o que é natural. Que não sejamos iludidos pela ambição e a miragem de crer de forma incondicional no progresso que ultraja a vida, sem se dar conta que nesta disputa de loucos acabamos derrotados pela magia de sua ciência e deslumbrante tecnologia.

O meio ambiente, o ser um aprendiz de Cristo, começa com coisas simples como asseio pessoal, roupa limpa, no trabalho, na escola, no mercado, na Igreja. Fiquei triste com as imagens de Friburgo - RJ, vidas que se foram, animais, árvores arrancadas, desmoronamentos... Não só Friburgo, mas ali passei minhas férias, cresci e aprendi a ser gente, amar a natureza. O que será feito? Sou do tempo em que em todas as regiões do planeta aconteceram revoluções, a juventude saturada de proibições, principalmente ao sexo feminino. A revolução de Paris, em ‘68, foi o estopim. Aconteceu o Woodstock, a queima de soutiens (eu vi), o surgimento da minissaia.

Os jovens não se interessam mais pelo “escondido.” A TV transmite, a qualquer hora, longas aulas de sexo sem enredo, e, agora, a qualquer hora no horário vespertino. E, alguém já parou para pensar que nas eleições estamos elegendo o menos ruim? Protesto! Sinto-me muito discriminada! Não sou nem um pouco reacionária e sim, saudosa de velhos e queridos amigos, com os quais partilhávamos lembranças e até, pasmem, presentinhos ganhos no Natal! Era singelo, não era 'feio' perguntar.

Tudo isso para dizer que podem manter as discriminações, mas a sociedade vai ter que barrar a “esculhambação” da forma que se vê por aí. Senão, mesmo com 5000 banheiros portáteis, não conseguirão impedir que, no Carnaval, o Rio se transforme numa imensa cloaca fétida. Adeus Cidade Maravilhosa! Chega! E já é demais, como pedia o samba de Sinhô que cantava para Villa Lobos e Manuel Bandeira, num tempo em que o RIO era uma cidade limpa e as pessoas, como nós, dormiam de janelas abertas. Viver é conviver, sem os outros não existimos. Noel Rosa, da Vila, ensinou que “samba não se aprende na escola” e Carlos Drummond de Andrade deixou em verso que “amar se aprende amando.”

Então, educação começa de menino e dentro de casa. É preciso conduzir “a criança no caminho que deve andar”, pelo respeito, pelo trato afetuoso com animais, plantas, árvores, ventos, estrelas... Depende de nós o defender o que temos.

Eis o aviso do índio Caterê-Mauê: “Quem mata a floresta, mata a casa da vida.” Penso que é chegada a hora de promovermos uma nova revolução, como a de ‘68, mas ao contrário. Então, o que espero? O que desejo? O florescer de um sonho, o REINADO da JUSTIÇA, a chegada da ESPERANÇA e do AMOR!

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU QUERIDO, DEUS O ABENÇOE,
Com imensa ternura, Edna.

Um comentário:

  1. Fiquei com imensa vontade de conhecer a dona Edna ! Amaury (amigo do Gustavo)

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