Seguidores

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Princípios do Caminho - Mansidão



4. Mansidão: O guerreiro sabe ser cortês, terno e gentil. Sua força não o torna bruto e insensível. Não é cruel em suas ações: basta derrotar o inimigo, sem a necessidade de humilhá-lo. Sua vida não e é uma demonstração de força, mas de domínio próprio e educação. Desta forma, conquista o respeito não apenas por sua determinação na batalha, mas na sua forma de tratar as pessoas. Sua força interior é seu principal escudo e segurança.

Seu lema: Felizes são os mansos, pois eles conquistarão reinos!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Princípios do Caminho - Misericórdia



3. Misericórdia: O guerreiro sabe que sua força pode ser usada para aniquilar o inimigo, mas ele a usa com compaixão. É forte quando precisa, mas a espada não é sempre a palavra final. Seu poder é usado com sabedoria para os propósitos do Reino, pois ele sabe que um dia também será julgado. Ajuda seus companheiros, e não recusa a mão estendida que clama por perdão.

Seu lema: Na dificuldade, os misericordiosos conquistam a misericórdia.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Princípios do Caminho - Coragem



2. Coragem: Pelos princípios que defende, o guerreiro deve ser corajoso. Não teme ser uma voz isolada, ou se posicionar com os valores do Reino diante dos desafios e oposições terrenas. Não se oculta no meio da multidão, fingindo calma. Assume os riscos de suas decisões e não culpa ninguém. Confiando em seu Mestre, é humilde e domina seu medo com a força de seu caráter, substituindo-o pela atitude prudente. Sua coragem não é cega, sabe quando recuar ou retroceder estrategicamente. É inteligente e forte. Substitui o medo pelo respeito e pela precaução.
Seu lema: Seja forte e corajoso! Não temas, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Princípios do Caminho - Justiça



O guerreiro não luta para si, mas está a serviço de seu Mestre, o Príncipe da Paz. Para isto ele defende os valores e princípios do Caminho do Reino.

1. Justiça: o Guerreiro é justo e promove a paz em seu caminho. Não é seu conceito de justiça que o faz forte, nem a sua força que o torna vencedor. Qualquer conceito de justiça pessoal é falho. Ele tem fome e sede da justiça Eterna, como seu Mestre. Não existe o cinzento no que diz respeito à honra e à Justiça. Relações familiares, ou qualquer corporativismo institucional não o faz ‘fechar os olhos’ para o erro. Apenas existe o certo e o errado, o sim e o não.

Sua palavra e suas atitudes são coerentes, e em qualquer lugar onde a injustiça é feita ele defende a causa do Reino.

Seu lema: “Eis que morre o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fidelidade.”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Bushido, o Caminho do Guerreiro



O que palavras como Honra, Lealdade, Auto-sacrifício, Justiça, Senso de vergonha, Gentileza, Pureza, Simplicidade, Sobriedade, Disciplina e Afeto, significam em nossos dias? Na cultura japonesa, Bushido é uma palavra que resulta da soma de "Bushi" (samurai, guerreiro) + "do" (caminho). O Bushi-do é o “caminho [do] guerreiro”, o conjunto de valores e princípios que definem a vida dos samurais, guiando-os pelo Caminho da Honra. Transmitido oralmente, todos os clãs de samurais o seguiam à risca. Alguns Samurais ainda hoje o seguem. Para o Bushido, o objetivo da vida de um samurai era uma morte honrosa.

Jesus definiu sua missão como “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Por conta desta declaração, parece que a morte não teria lugar na missão de Cristo para o mundo. E a palavra ‘abundancia’, ‘fartura’, de tal forma é tentadora que os cristãos se apropriaram bem do conceito de vida abundante. Especificamente, da ‘abundância’ em sobre todas as coisas e a qualquer custo: o acúmulo de tudo, mesmo sem precisar. Porém, para Jesus o conceito não é de quantidade, mas de qualidade. A fartura não define a vida, mas a vida é quem determina a fartura e a plenitude.

Para Cristo, a vida abundante passou pela cruz. E ele faz um convite audacioso para seus discípulos de todos os tempos: “aquele que desejar me acompanhar, negue-se a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”! É preciso, antes de qualquer coisa, morrer para se viver plenamente. Contradição? De forma nenhuma, apenas colocar as coisas na perspectiva correta. O bem mais valioso é a alma, de que adianta ganhar todo o resto e perde-la?

O cristão é o guerreiro do caminho, ele segue o Bushi-do de Cristo. Seguir os passos de seu Mestre é seguir o caminho da morte com honra. É saber vencer as tentações dos prazeres imediatos e passageiros, submetendo o corpo, a mente e o espírito às disciplinas que todo guerreiro sabe ser necessária para a vitória final.

O fundamento da sociedade capitalista – e hoje, até a China tornou-se capitalista – é o consumismo, o ter, a busca pela satisfação dos desejos imediatos e a negação da morte. Não apenas a morte física, mas a morte por “não possuir” coisas, pessoas, bens! Mede-se a vida de uma pessoa não pelo que ela é, mas comparando-a com o que outros possuem e são. Nesse sentido, a angústia existencial torna-se cada vez mais acentuada. A sociedade adoece sem perceber, em um círculo vicioso onde cada bem adquirido é o pó insaciável do desejo.

O “estilo de vida” é determinado pelos comerciais, pelo marketing, pelas propagandas, filmes, novelas, que dizem que teus desejos se transformaram em necessidades. Você “não” pode ser feliz se não tiver ... (seu desejo)! As consequências? Olhe à sua volta, observe o mundo em toda a sua dimensão: este é o caminho largo, onde os fracos se sentem à vontade e a maldade prevalece.

Cristo ensinou que o verdadeiro caminho é estreito e exige sacrifício, renúncia, disciplina. Ensino nada popular, lembrando um princípio do Bushido Samurai: O samurai nasce para morrer. A morte não é, pois, uma maldição a evitar, mas sim o fim natural de toda a vida.

A morte é o caminho do desapego diário, da renúncia de si mesmo para viver Cristo. A vida abundante é a vida partilhada, comungada entre irmãos e companheiros do caminho. A morte não será o fim, mas a porta aberta para a comunhão com o inefável em sua plenitude. O discípulo deve conhecer e conquistar o cumprimento de seu propósito para com seu Mestre.

Cada escolha, cada decisão, cada atitude, é o caráter do guerreiro revelado passo a passo em seu caminho. Siga os passos de uma pessoa, e você encontrará o seu destino. É preciso aprender a ser um guerreiro no caminho. A morte não será o fim, mas apenas a porta de passagem para uma nova vida que pode ser alcançada com honra, ou, com vergonha!

Existem princípios que são os indicadores do caminho de um guerreiro em sua jornada, até alcançar a porta final e ser possuído pela Vida Plena. Estes princípios são como placas em uma estrada, indicando que o guerreiro está no caminho certo.

Na próxima postagem, conversaremos sobre alguns deles.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Segurança



Filhota, o importante não é saber onde você está, mas quem está com você. É isto que nos dá segurança!
Disse isso recentemente para minha filha, que se prepara para passar um semestre na Alemanha.

Certa vez estava caminhando pela mata amazônica, distante de todas as pessoas. Envolvido em um projeto ecológico com a WWF, passava a maior parte do tempo apenas com mais uma pessoa, um mateiro, dormindo em redes, sendo comido pelos insetos, alimentação precária, esforço físico acentuado, uma delícia! Ficávamos de dez dias a duas semanas nessa atividade.

Numa tarde de folga, sozinho, resolvi caminhar por outras trilhas na mata quando me deparei com um grupo de macacos, que faziam uma algazarra. Eles estavam muito agitados, e logo descobri por que: uma espécie de gavião “pega-macaco” perseguia o grupo pelo topo das árvores. Passei a acompanhar a movimentação, com binóculos, observando a estratégia do gavião contra a dos macacos.

Tudo ia bem, até que resolvi parar e me situar no terreno. Percebi, então, que havia me distanciado da trilha e estava completamente perdido. É fácil se perder na floresta amazônica, o terreno abaixo das árvores é aberto o suficiente para você sair da trilha sem perceber. Olhando a maior parte do tempo para cima, foi o que aconteceu. Deixei então os macacos preocupados com seu gavião irem embora, pois pareciam me levar cada vez mais mata adentro.

Eu estava em uma reserva, numa área quadrada, onde um dos lados dava para a mata fechada e os outros três faziam divisa com uma região desmatada – na verdade, era um ‘dente’ de mata que foi poupado. Este era o objetivo de nossos estudos, verificar o impacto do desmatamento no ecossistema, em diferentes tamanhos e tipos de reserva. Eu trabalhava com aves. E agora estava perdido.

Tentei, por um par de horas, uma estratégia: andar em linha reta por vários minutos e depois mudar de direção. Fui estendendo os minutos, tentando fazer uma navegação na mata, buscando encontrar alguma árvore marcada. Usávamos fitas plásticas coloridas para marcar a trilha, já que nem sempre ela era perceptível.

Caminhei até perceber que não estava dando resultado. Parei, sentei, tomei uma água do cantil, avaliei minha situação, fiz uma oração, me acalmei. O dia entrava em seu quarto final, sabia que existiam poucas horas de luz, não seria agradável dormir fora da segurança de nosso acampamento. Então, tomei minha decisão: pegaria uma direção, tentando deixar o pouco do sol que era visível dentro da mata, em uma determinada posição, e seguiria até onde fosse possível.

Ou eu encontrava a marcação da trilha, ou sairia por um dos lados da reserva, ou então entraria cada vez mais mata adentro – de onde provavelmente não sairia mais...
Depois de mais de uma hora de caminhada, não encontrei a trilha. Mas encontrei uma área mais clara à frente, que revelou ser um dos limites da reserva onde estava. Aí foi fácil, bastava agora caminhar, margeando a reserva até encontrar a entrada da trilha que levava ao acampamento – na verdade, uma área suficiente para estender duas redes e fazer um fogo seguro junto a um igarapé. Esse era o nosso ‘lugar seguro’ no meio da Amazônia!

Percebi que manter a calma em uma situação de desorientação é fundamental. Estava quase entrando em pânico quando me acalmei e entendi que não estava sozinho. Sentindo a presença de Deus ao fazer uma oração, me tranqüilizei, e pude me aclamar e pensar com calma. Não vi nenhum anjo, nem tampouco um macaco-guia apareceu e me mostrou o caminho. Apenas percebi que Deus estava comigo, e que eu encontraria um caminho. Em situações limites, estar com alguém que te dá segurança é fundamental.

Mesmo se caísse a noite, como muitas angústias que caem sobre nós ao longo da vida, eu sabia que poderia passar por ela. Ter esta confiança não é arrogância, mas dependência. Dependência não é fraqueza, mas coragem para confiar. E a coragem não veio pelo desespero cego de quem não tinha alternativa, mas devido a experiências anteriores com Deus. Caminhar com Deus, na tranquilidade do dia a dia, nos prepara para os momentos de crise ou desafios que eventualmente surgem. A experiência nos leva ao conhecimento do caráter de Deus. Em Deus estamos seguros.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quatro amigos, um grupo de irmãos!



Assisti em DVD, enquanto estava em Florianópolis com a família, a minissérie completa “Band of Brothers”. Conta a história da companhia Easy que desembarcou na Normandia no histórico Dia D durante a Segunda Guerra. Os dez episódios iniciam com diversos co-mentários dos sobreviventes, que mantiveram sua amizade até os dias de hoje, fruto de laços de solidariedade que só possui quem dividiu perigos e dificuldades.

O título desta série vem da obra de Shakespeare, ‘A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III.’ Esta peça contém o famoso discurso do rei, motivando a coragem de seu exército de 10 mil homens, pouco antes de entrarem no campo de batalha e derrotarem o poderoso exército francês de 60 mil soldados e cavaleiros, na épica batalha de Azincourt (1415).

Na parte final do discurso, está escrito: (...) O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada a nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim.

Amigos e irmãos

Amigos compartilham uma jornada, a vida, comprometem-se entre si, arriscam-se uns pelos outros. Defendem-se diante de qualquer ataque, dão suas vidas pelo companheiro ao lado. Possuem cumplicidade e compromisso, que vão além do "bom-dia-como-vão-as-coisas?" Amigos lutam, celebram, sofrem, riem, solidarizam-se com a nobreza, com o perdão. Não escondem os erros uns dos outros, mas com amor buscam o fortalecimento mútuo.

Amigos possuem palavras de conforto, atitudes de lealdade, não admitem injustiças feitas. Toleram manias e limitações, sem julgamento de qualquer tipo, não necessitam de ‘agrados’. Arriscam até mesmo suas reputações para fazer o bem ao que está ferido no caminho. Amigos não estipulam condições de qualquer tipo. Mesmo que um amigo erre, não há vergonha para se dizer: ele errou, mas ele é meu amigo, ele é meu irmão! Ami-gos não abandonam ou excluem os feridos pelo caminho.

Amigos passam horas em silêncio, sem se sentirem desconfortáveis. Amigos possuem a chave de seu coração, e de sua casa também, junto com a senha do alarme.

Uma frase do discurso do rei Henrique V define a base da verdadeira amizade, duradou-ra, leal: '...porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão,...' Em outras palavras: amigos se mostram dispostos ao sacrifício, seja qual tipo for, uns pelos outros. Atitudes, não discursos, definem amizades e geram compromisso. Talvez por isso, mesmo em muitas organizações e igrejas, as amizades sejam interesseiras, situacionais, oportunistas, condicionais, casuísticas. Não há senso de mis-são, não há disposição ao sacrifício, não há lealdade, apenas interesses e projetos pessoais em andamento.

Existe um mandamento para amarmos as pessoas, mas ninguém pode ser obrigado a ser amigo de outra pessoa: a vontade livre de cada um é necessária.

Quatro amigos em ação

Numa passagem do Evangelho de Marcos, um episódio chama a atenção. Quatro amigos carregam em um leito um outro amigo, paralítico, em direção a Jesus. Cafarnaum, onde Jesus costumava ficar e descansar de suas andanças, era uma vila de pescadores, situada na margem norte do Mar da Galiléia. Por ali Jesus fez bons amigos.

Naquele dia muitas pessoas estavam com o Mestre, a casa estava lotada. Do lado de fora muitos se apertavam para também tentar escutar o que ele dizia. Ninguém mais entrava. Lá dentro, Jesus falava com o pessoal: não era uma pregação formal, dessas que costu-mamos ouvir, mas uma boa conversa entre amigos, sua estratégia preferida.

Enquanto isso, na multidão, os quatro amigos iam conquistando terreno, passo a passo. O homem que carregavam estava paralisado. Na língua grega, a palavra usada significa, literalmente, “dissolvido”, prostrado, sem forças para estar de pé. Por que ele estava paralisado? O texto não informa. Junto à casa, eles pararam.

Quem deseja alguma coisa encontra um jeito. Quem não quer, uma desculpa!

Não havia mais como seguir adiante, a casa estava lotada. Vendo a porta estreita, eles poderiam ter voltado. Mas decidiram prosseguir. Olhando para o amigo na maca, conver-saram com ele. Talvez ele até pudesse ter dito, “ok, vocês fizeram o possível”. Mas amigos não fazem apenas o possível, eles seguem adiante mesmo contra todas as possibili-dades. Abandonam regras, normas vazias e institucionais, princípios legalistas, desafiam regras. Ignoram a murmuração e a reclamação das pessoas à volta, ou olhares de censura. Pensam que o impossível é possível, descobrem um novo caminho: eles tinham um plano. Olhando para cima, talvez também pedindo a orientação do alto, sabem de um espaço desocupado: o teto da casa! Sem hesitar, sobem, diante do olhar incrédulo das pessoas à volta!

Naquele tempo os tetos eram feitos de uma combinação de argamassa, cinzas, argila e resinas vegetais para impermeabilização. Às vezes, conforme o tamanho do espaço, vi-gas de madeira ou galhos eram usados na estrutura. O resultado era uma estrutura relativamente sólida, usada inclusive para se guardar pequenos animais à noite, e uma escada normalmente era construída ao lado. Com o tempo, alguma vegetação crescia sobre o mesmo. Pessoas mais ricas conseguiam reforçar o teto com pedras lisas ou algum tipo de lajota artesanal. Estruturas de madeira e telhas eram muito caras, poucos as faziam. Para se fazer um buraco no mesmo, ele deveria ser escavado com alguma dificuldade.

Demonstrando sua intenção e estratégia, os amigos tiram algumas coisas escondidas em suas roupas: colher de pedreiro, cordas. Começam a cavucar o teto. Com certeza o barulho e a poeira que começou a cair dentro da casa fizeram as pessoas de dentro se calarem e olharem para cima. Alguém deve ter informado o que estava acontecendo, criando um suspense dentro da casa. Era bem possível que a casa fosse de Jesus ou sua família. Desta forma, imaginem fazer um buraco no telhado da casa do Mestre! Imagino Jesus sorrindo e pedindo pro pessoal aguardar o desenrolar dos acontecimentos, não ficando nem um pouco irritado com a situação. Afinal, interrupções são excelentes oportunidades!

Feito o primeiro furo, agora os amigos tratam de alargar a passagem. Lá dentro, todos já meio cobertos de pó, aguardavamm, conversando, o desenrolar dos acontecimentos. Espaço feito, os quatro amigos descem o paralítico. Ele agora, deitado na maca, no chão, olha os rostos que o encaram. Imagine-se deitado no chão, um monte de gente te olhando de cima, nem todos com olhar amistoso.

Jesus, um amigo sempre possível

Jesus olha o homem deitado, recusando-se ver apenas ‘um paralítico’ e começa seu pro-cesso de cura, deixando todos espantados com sua abordagem: vendo além das aparên-cias, oferece perdão para seus pecados. O Mestre é questionado sobre sua autoridade para perdoar, mas Jesus adverte: tem coisas espirituais, mesmo psicológicas, que paralisam as pessoas. Deu a ele mais do que seus amigos pediram, completando: meu filho, levanta, pega tua maca, toma o caminho de tua casa.

Jesus não apenas curou: ele mostrou um novo caminho para aquele homem e seus amigos seguirem. Nossas atitudes determinam nosso destino.

Lições do caminho

Aprendemos com Jesus: um amigo, podendo fazer, não fala, faz. Em nossas organiza-ções, ao contrário, fala-se demais, faz-se de menos. É impressionante como Jesus fazia as pessoas se sentirem bem, mesmo quando faziam as coisas mais inesperadas, como invadir uma casa pelo teto exigindo atenção! No caminho do amor não existem regras.

Amigos são assim: nos fazem sentir confortáveis mesmo quando ligamos às duas da ma-drugada; mesmo quando chegamos sem avisar em suas casas; mesmo quando os inter-rompemos, pois para eles nós jamais seremos um incômodo, um inconveniente, uma chateação. Amigos não se escandalizam conosco. Amigos andam ao nosso lado no cami-nho, nos carregam quando não podemos mais andar, paralisados por alguma circunstân-cia da vida.

Amigos olham dentro de nós e, assim como Jesus, não focam em nossos defeitos, mas em nosso potencial. Amigos insistem. Amigos nos ajudam a encontrar uma direção quando estamos perdidos. Amigos levam à fonte de cura, libertação, conforto. Ouvem nossos sonhos, sem julgar. Amigos não ficam melindrados com opiniões contrárias, com algum “não”!

Aqueles quatro amigos do homem paralisado agiram em seu benefício, o carregaram, suportaram muitas coisas com ele, e finalmente fizeram o que tinha que ser feito diante da possibilidade de cura que se apresentou, mesmo se não houvesse cura alguma. Superando todos os obstáculos, externos e internos, foram até o fim para ajudar seu amigo. Fizeram isso motivados apenas por uma coisa: amor. Somos, ou temos, amigos assim?

Coincidentemente Jesus escolheu seus quatro primeiros discípulos naquela mesma regi-ão: Pedro, André, Tiago e João. Foram amigos com quem ele contou até o fim de sua vida. Amigos que foram fiéis, fraquejaram, foram perdoados, ousaram correr riscos, morrendo para si no caminho da vida.

São amigos e irmãos de Jesus todos os que ainda hoje estão dispostos ao sacrifício de si mesmos. Como Henrique V, Jesus também nos convida “... porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão; esta jornada enobrece-rá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui,...” (Henrique V). Temos consciência de nossos pecados, de nossa vileza. Porém, nos tornamos nobres no caminho com Cristo e livres para sermos amigos e irmãos.

Que tenhamos uns pelos outros, seguindo o exemplo de nosso Mestre, a mesma coragem, desapego e amor. Que sejamos de fato amigos, um grupo de irmãos. Pois correm o risco de serem considerados malditos aqueles que assim não procederem, preferindo ficar à margem do Caminho!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Esperança


Este texto é de minha mãe. Fevereiro é aniversário de meu pai (19/02), e mereceu uma reflexão de mamãe, sempre sábia em suas palavras. Com mais de cinqüenta anos de casamento, eles são teimosos: insistem em permanecer juntos, contra a tendência emburrecida e paranóica da sociedade em geral, que surta pela novidade e aposenta relacionamentos como quem joga fora um caroço de manga, depois de extrair seu último doce.

É um olhar apreensivo, mas também esperançoso, sobre a época atual, trazendo lembranças de um outro tempo. É preciso reagir. Achei lindo, pertinente, por isso compartilho com vocês, começando 2011 com uma excelente reflexão! Vejam abaixo.



Esperança

Meditando neste mês de niver do 'Seu' ADOLPHO:
Do que precisamos?

Esperança: o melhor presente, porque conduz a fé e ao trabalho, para o futuro deste chão, que A. Barroso disse numa bela canção “... que é grande e feliz”. Do seu tamanho ninguém pode duvidar, mas quanto à felicidade, por mais que seja cantada em prosa e verso, penso que anda longe, pois a felicidade é algo sólido, palpável e a alegria é líquida, que escorre entre os dedos, se vê em toda parte, mas, como diz Darcy Ribeiro: “um dia acaba dando certo!” Há de dar, penso eu, que há muito fiz opção pela utopia. Gosto de pensar no verso de Keats: “A thing of beauty is a joy forever” - mesmo pequenina!

Os anos são como pássaros. Voam. Alguns passam tão longe, outros bem rentes de nós. O tempo passa? Passa e fica: modifica. Porque se transforma em história, a nossa, com lágrimas, alegrias, sorrisos e sonhos.

Não, não falarei dos poucos que tem tudo e da multidão que nada tem. Quero falar da natureza cuja beleza e bondade nos enche de vida. Amemos tudo o que é natural. Que não sejamos iludidos pela ambição e a miragem de crer de forma incondicional no progresso que ultraja a vida, sem se dar conta que nesta disputa de loucos acabamos derrotados pela magia de sua ciência e deslumbrante tecnologia.

O meio ambiente, o ser um aprendiz de Cristo, começa com coisas simples como asseio pessoal, roupa limpa, no trabalho, na escola, no mercado, na Igreja. Fiquei triste com as imagens de Friburgo - RJ, vidas que se foram, animais, árvores arrancadas, desmoronamentos... Não só Friburgo, mas ali passei minhas férias, cresci e aprendi a ser gente, amar a natureza. O que será feito? Sou do tempo em que em todas as regiões do planeta aconteceram revoluções, a juventude saturada de proibições, principalmente ao sexo feminino. A revolução de Paris, em ‘68, foi o estopim. Aconteceu o Woodstock, a queima de soutiens (eu vi), o surgimento da minissaia.

Os jovens não se interessam mais pelo “escondido.” A TV transmite, a qualquer hora, longas aulas de sexo sem enredo, e, agora, a qualquer hora no horário vespertino. E, alguém já parou para pensar que nas eleições estamos elegendo o menos ruim? Protesto! Sinto-me muito discriminada! Não sou nem um pouco reacionária e sim, saudosa de velhos e queridos amigos, com os quais partilhávamos lembranças e até, pasmem, presentinhos ganhos no Natal! Era singelo, não era 'feio' perguntar.

Tudo isso para dizer que podem manter as discriminações, mas a sociedade vai ter que barrar a “esculhambação” da forma que se vê por aí. Senão, mesmo com 5000 banheiros portáteis, não conseguirão impedir que, no Carnaval, o Rio se transforme numa imensa cloaca fétida. Adeus Cidade Maravilhosa! Chega! E já é demais, como pedia o samba de Sinhô que cantava para Villa Lobos e Manuel Bandeira, num tempo em que o RIO era uma cidade limpa e as pessoas, como nós, dormiam de janelas abertas. Viver é conviver, sem os outros não existimos. Noel Rosa, da Vila, ensinou que “samba não se aprende na escola” e Carlos Drummond de Andrade deixou em verso que “amar se aprende amando.”

Então, educação começa de menino e dentro de casa. É preciso conduzir “a criança no caminho que deve andar”, pelo respeito, pelo trato afetuoso com animais, plantas, árvores, ventos, estrelas... Depende de nós o defender o que temos.

Eis o aviso do índio Caterê-Mauê: “Quem mata a floresta, mata a casa da vida.” Penso que é chegada a hora de promovermos uma nova revolução, como a de ‘68, mas ao contrário. Então, o que espero? O que desejo? O florescer de um sonho, o REINADO da JUSTIÇA, a chegada da ESPERANÇA e do AMOR!

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU QUERIDO, DEUS O ABENÇOE,
Com imensa ternura, Edna.