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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A corrida



O ano foi 1980 e o local, Boston, famosa cidade da costa leste dos Estados Unidos, próxima ao Canadá. O dia 21 de abril amanheceu bonito.

Na famosa maratona, Rosie Ruiz Vivas, uma jovem de 23 anos de origem cubana e naturalizada americana, venceu a prova feminina. Sendo totalmente desconhecida do circuito de corridas mundial, foi elevada rapidamente ao status de estrela, vitoriosa em sua primeira prova oficial com um dos melhores tempos do mundo até então para maratonas.

Ao ser questionada como conseguira este feito, ela simplesmente disse: ‘acordei com muita energia hoje’! Porém, o mais incrível estava por vir.

Depois que outros corredores relataram que não a viram durante a competição, uma investigação foi feita e a verdade veio à tona: ela correra apenas o último quilometro do circuito.

O escândalo foi maior ainda quando Rosie recusou-se, diante das evidências, a reconhecer a trapaça. Ela mentia com tanta convicção e naturalidade que sua mentira tornou-se sua verdade, uma boa definição para sociopata.

Esta história me lembra pessoas que cruzam a linha de chegada com aparência de vencedor, mas que fizeram algum esquema para chegar em primeiro. Políticos, empresários, religiosos que fazem pose e cara de heróis, como se estivem chegando após uma “grande luta”, uma batalha de persistência, fé, perseverança, determinação, superação.

Porém suas vidas são uma colagem, uma sucessão truncada de eventos. Em sua mediocridade, aceitam a manipulação para também obterem vantagens. Gostam da pose de vencedores. Quando descobertos, seu discurso acusatório de “conspiração” tenta transferir a dúvida, e as dívidas, para outros corredores, culpando a imprensa, a traição do amigo, do partido, a ‘herança maldita’. Invejosos, gostam de insinuar meias verdades, ou mentiras inteiras, se fazendo de vítimas, desqualificando quem corre com integridade.

Chegar em primeiro é a finalidade, não importam os meios. Trapaceiam na maior cara de pau: mentem, subornam, negam as evidências, pegam carona no esforço alheio, manipulam indicadores. Politicopatas, religiopatas, sociopatas, e um sistema jurídico (jurisopatas?) que legitimiza a vitória.

Se em 1980 foi apenas uma pessoa, hoje a multidão de corredores é de Rosies. Um escândalo é quando a honestidade é descoberta. Vivemos a legalização da fraude por um sistema que estimula esquemas. A década de Rosie foi a dos Presidentes João Figueiredo e José Sarney, que deixaram seus legados para Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula da Silva e agora Dilma Rousseff. A corrida continuará.

Como eles chegaram em primeiro? Com certeza, com muita “energia”!

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