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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tiririca, o picadeiro e o aborto


Cansei de receber correntes-denúncia a favor ou contra todo tipo de situação.

A satanização de candidatos, ou a polarização de opiniões, demonstram apenas que as pessoas gostam de adjetivos fortes e verbos fracos. Nada contra o direito de se posicionar – mas me preocupa o movimento e a indignação apenas em tempos de eleições. No mais, a alienação de sempre.

Vejam bem apenas dois temas, para resumir.

Um é o palhaço Tiririca. Gosto dele, a criançada ri à revelia com o que ele faz. Pobre de origem, semi-analfabeto, desde cedo descobriram que ele dava certa popularidade, passando a ser explorado para faturarem em cima de suas ingênuas palhaçadas. E ele também aproveitou para ganhar seu troco fazendo as pessoas rirem de si mesmas. E daí? O maior preconceito no Brasil é contra o trabalho: todo mundo sonha em ganhar sozinho na Sena, mas ninguém sonha em ganhar a vida trabalhando honestamente. Mesmo como palhaço.

Um dia descobriram que o palhaço Tiririca poderia render votos. Ele, coerente, não se intimidou: se é pra fazer rir, ‘vamo lá’! A piada-pronta elegeu-se e o recado foi dado: lugar de palhaço também é no picadeiro da nação! Dos tempos de criança, a gostosa lembrança dos circos. Alguém aí se lembra do Orlando Orfei? Na década de setenta era a sensação! Lembro da emoção dos palhaços, que faziam a gente rir, fazendo graça das coisas que normalmente nos fazem chorar. Como o Tiririca!

Depois de alguns momentos tensos, entram os palhaços no picadeiro. Hora da sessão solene, lá vem eles! Afinal, a Câmara e o Senado são ou não nossos grandes picadeiros? Quem desejar terá a oportunidade de gargalhar nos próximos anos: ligar a TV-Câmara & Senado e assistir ao Tiririca e sua troupe em ação! Tomara que ele não se leve muito a sério...

Atenção, meninada, está chegando, o afamado palhaço ‘Tiririca’ (...) E por isso meninada, quero ver muita alegria!! Salve, salve a criançada e o palhaço Ventania! Tá na hora, tá na hora, bota o palhaço pra fora! Em outras palavras, solta o palhaço no picadeiro, quero mais é dar risada!! Deseja matar a saudade? Clica aí, não é vírus, mas a música você vai lembrar e gostar, recorta e cola no seu navegador: http://thiagobaby.podomatic.com/entry/2007-05-30T19_46_28-07_00

Porém, no meio de tanta palhaçada, tem certas coisas que exigem verbos, como o ‘agir’. Chega uma hora, o espetáculo acaba, assim como a pipoca. As luzes acendem, hora de sair do circo e cair na realidade, que é cruel. Mais cruel que os leões do circo romano, que cumpriam seu papel servindo-se no buffet de cristãos. Depois, enquanto os felinos palitavam os dentes, entravam os palhaços para distrair o público dos horrores recém presenciados.

Pronto, passou, como dizia minha mãe quando a gente levava um susto. Nada como um afago e a mão eleitoral de alguém dizendo que “foi apenas um susto!” Nos sentimos nervosos na platéia comendo pipoca e vendo os leões agindo no picadeiro. Mas depois, no circo da vida real, mais ou menos a cada quatro anos, vem alguém passar a mão na cabeça da gente, dizendo, “pronto passou, daqui pra frente será diferente”!

Ufa! Desamasso o saquinho e ainda encontro uma pipoca, que escapou dos dedos nervosos. Uma sensação de vitória! Em meio aos caroços não estourados, encontro a mais saborosa de todas: a pipoca da alienação.

E as crianças, e o aborto? Não sei, tenho mais o que fazer, tenho meus brinquedos preferidos: meu trabalho, meus amores, minhas preocupações. Sonhar com a próxima sena acumulada. Tenho certeza que daqui a quatro anos alguém virá bagunçar meus cabelos e dizer, está tudo bem, foi apenas um susto.

Um comentário:

  1. Votar e' a nossa chnce e dizer "nao gostei, quero botar outro para me represntar no poder". E no espaco entre os votos, ha' que se permanecer informado e, de preferencia, engajado, envolvido, na comunidade, no tabalho, em algum lugar, e alguma forma.
    Todo mundo sabe criticar na hora de tomar um cafezinho ou uma cervejinha, mas na hora de fazer a diferenca, poucos, muito poucos, exercem a cidadania.
    Por exeemplo, nao queremos o aborto; entao, que apoio damos 'as maes gravidas sem emprego, ou aos filhos sem pais crescendo por ai? Alguma doacao de dinheiro, ou de tempo, sendo mentor, ou algo parecido?
    De bla bla bla acho que estamos todos cheios.
    Cada um, a seu nivel, deve se engajar.

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