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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O branco mais branco, a ficha mais limpa!



Quando eu era moleque gostava de disputar com os amigos as ‘preferências’: Nescau ou Toddy? Pipoca ou mandiopã (o precursor deste salgadinhos por aí)? Caloi ou Monark? Volkswagen ou Chevrolet? Flamengo ou Vasco? E uma vez quase brigamos por conta do melhor sabão em pó: Rinso ou Omo?

Preferências à parte, a solução para estes dilemas é impossível. Mesmo que uma determinada marca desapareça, logo será substituída por outra nas prateleiras existenciais ou de consumo. E uma multidão de opiniões, paixões e preferências logo ser formará. Gostamos de sentir que o que escolhemos, usamos e compramos é sempre o melhor. Muito melhor, seu idiota, será que você não percebe?? De repente, o calmo e racional se transforma em um apaixonado e irado defensor de bobagens!

Em tempos de eleições, a mesma situação se repete. Lembrando das velhas disputas da infância, tomamos partido, firmamos apaixonadamente posição, e acabamos polarizados entre duas marcas. A seleção feita pelas mídias nos ajuda a descartar os produtos de “menor importância”. Filtrados pelos interesses econômicos de sempre, ficamos com dois candidatos que representam os interesses econômicos de sempre.

Afinal, qual é o sabão que deixa a roupa ‘mais branca’? Angustiante escolha! Qual é o candidato que tem a ficha mais limpa, ou o passado mais sujo? Muita conversa, o Trololó de um lado, ou a Ratatá do outro, afinal, somos levados a crer que estes dois candidatos são a “única opção democrática” de poder! Como crianças, enganados, continuamos a defender opiniões – agora com argumentos adultos e astutos. Porém, fazendo o mesmo jogo!

“Não se pode ser bom pela metade" (L. Tolstoi). E Jesus já havia dito isso de outra forma: ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Mas a política é capaz de inventar que isso é possível sim!

No supermercado existencial, recuso-me a escolher entre duas marcas de sabão que limpam seletivamente mas vendem o "branco total!" E o sabão em pedra? Incrível, ele limpa igual, só que dá mais trabalho. Desejamos mudanças rápidas, soluções fáceis, fast-food e fast-política. Dá no que dá: fast-ética, fast-moral, fast-fé, que têm a duração de um discurso.

A política do Brasil ora é um picadeiro, ora um parque de diversões. Na gangorra do poder, um está por cima, o outro em baixo, alternando-se. Mas o brinquedo é o mesmo: a gangorra bipolar, sugerindo a impressão de alternância de poder, pura ilusão.

Quando cresci, finalmente descobri que não precisava mais escolher entre “A” ou “B”. Existem outras alternativas, elas cansam porque dão mais trabalho, mas acredito que um outro mundo seja possível. A verdadeira democracia deixa sempre uma terceira opção: a de não ser governado por ninguém.

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