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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mosaicos


A vida é um grande mosaico.

Gosto dos trabalhos de Patchwork, aquelas colchas de retalhos que são produzidas a partir de muitas peças diferentes e coloridas. Eram sobras, e um dia alguém resolveu aproveitar e criar algum padrão com o que era jogado fora. Pronto, um novo estilo surgia! O acaso virou moda, o lixo pode ser um luxo!

Da mesma forma construímos nossas vidas. Há pessoas que gostam de uma colcha padronizada, talvez com listras, retas, azul, branco, azul, branco, azul... Para estas pessoas, a rotina é sensacional, uma emoção! Possuem um padrão para todas as coisas, lugares preferidos nos auditórios, nos restaurantes, e por aí vai. São metódicas, sistemáticas, disciplinadas, cumprem tarefas e horários com alegria e entusiasmo. Sua casa é o paraíso para deficientes visuais: você encontrará, dia após dia, todas as coisas nos mesmos lugares! Gostam de respostas: - onde está a colher de sobremesa, pergunto, e elas orgulhosamente respondem “–na porta direita do armário, na segunda gaveta, de cima para baixo, no armário ao lado da pia, logo atrás das facas!”, com aquela cara de ‘deerrr, será que ainda não aprendeu?’ Elas gostam de seguir receitas. São pessoas confiáveis e previsíveis. Correm-se poucos riscos com elas.

Por outro lado, tem aquelas pessoas que gostam de juntar experiências como quem junta conchinhas no mar. Cumprem com todas as suas responsabilidades, mas seu lugar preferido é... onde der vontade. Para elas a rotina, a organização, são desafios a serem superados! Gostam de novidades, buscam novos lugares, são inquietas por natureza: votaram na esquerda? Então na próxima eleição vão experimentar a direita. E daí? Sorvete de morango? A próxima sobremesa será ovo frito com calda de chocolate – por que não? Gostam de ‘adaptar’ receitas. São pessoas leais e imprevisíveis. Arrisca-se quem faz amizade com essa turma; podem levar um susto a qualquer momento.

Sinto que sou um mosaico existencial. Gosto de lugares diferentes, de experimentar diversos odores, culturas e situações. Gosto das perguntas mais do que de dar respostas. Principalmente da pergunta: “-e se....?”, como o gato do desenho Alice No País Das Maravilhas! Sou um camaleão comportamental. Não SOU isto ou aquilo – porém, ESTOU isto ou aquilo. Sem crises, superei os rótulos alheios. Entendi meu defeitos preferidos, que nada mais são do que o exagero de minhas virtudes. Impossível me livrar deles sem acabar com aquelas. É um paradoxo.

A pluralidade é essencial, mas existem limites e absolutos. Mais paradoxos. Acho que mesmo meu ‘mosaico’ tem um padrão. As coisas não estão arranjadas aleatoriamente, têm seu lugar e sua ordem. Mesmo que eu goste de arranjar tudo de maneira diferente todos os dias! Olhando para meu mosaico, surge então uma pergunta: alguém aí tem uma tesoura?

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