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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A grande pergunta, a grande resposta, a grande missão!



Quando morei na Inglaterra, anos atrás, assisti pela TV o homem chegando à Lua. Estava na escola, e minha cabeça de criança entrou em órbita com aqueles astronautas. Visitando aquele menino distante mais de quatro décadas, percebi que ele ainda pensa nas coisas do espaço.

A Apollo 11 alcançou a baixa órbita terrestre 12 minutos depois da ignição dos motores, já tendo deixado dois dos três estágios do foguete para o oceano Atlântico. O terceiro estágio só foi liberado depois de dar o último impulso aos exploradores, aumentando ainda mais a velocidade da nave Apollo, rumo à Lua. Para tirar o homem da força gravitacional foram necessárias toneladas de combustível. Em 20 de julho de 1969 o comandante Neil Armstrong tocava o solo lunar e declamava: “Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.”

Hoje o homem, tendo deixado muitas coisas de menino para trás, vai ressignificando eventos e experiências do passado, dando a eles novos contornos. Considerando que todos saímos do nível do mar e que o espaço é nosso destino, fiquei matutando o quanto de energia é preciso para sair do ‘chão existencial’ para tocar as estrelas, rumo ao infinito! Neste sentido, cada um deve definir quais são as suas resistências, ou quais forças podem estar impedindo o vôo. Compreendi que três grandes estágios devem ser superados para quem deseja sair do chão.

O primeiro é ter coragem para enfrentar a grande pergunta: quem sou eu? Esta é a questão de identidade. Define a compreensão de ser diante dos outros seres vivos. Luta-se para sair da mediocridade. Esta pergunta é a pergunta original, a raiz de todas as outras perguntas. Quem não se preocupa com ela não vive e nem voa – apenas passa pela vida, cacarejando, andando para trás e ciscando migalhas. As perguntas certas levam ao fundo do ser, e trazem determinadas angústias. Alguns, não as suportando, tentam roubar a vida de outros, fingindo ser o que não são. Vivendo com medo, tornam-se agressivas. Focam no ter, escondem-se atrás de objetos e consideram os demais apenas conforme sua utilidade. Mas quem se esforça avança para outro nível.

O segundo estágio é a grande resposta, o encontro que dá senso de identidade, auto-estima e força. Voando como águias a vida adquire uma nova dimensão. A altura determina novos horizontes, novas perspectivas, novos aprendizados. As resistências interiores diminuem e o aprendizado traz a humildade. O ter é superado pelo ser. Finalmente, o encontro com o “Eu Sou” traz a libertação que leva ao limite da rendição de nós mesmos diante do incompreensível. Entramos em harmonia, sustentados pelo ar e pela velocidade. ‘Quem sou’ se equilibra com “de quem sou”. Mas certa inquietação ainda avisa que não é o último estágio, existem coisas maiores e melhores mais acima. Novas perguntas. Qual é o propósito de todas as coisas? Para que existimos?

O terceiro estágio, o último impulso, para aqueles que agora voam mais alto ainda, permite a libertação e o encontro com o propósito maior da vida, o serviço, o exercício da vocação para a qual fomos chamados. A finalidade, a missão, a grande comissão: chamados, comissionados e enviados para servir a humanidade, segundo os propósitos de Deus! Nada mais aprisiona, as grandes resistências foram vencidas, as forças terrenas finalmente superadas. As limitações são reconhecidas sem angústias. Amar é o grande desafio. A missão é o cumprimento do amor, o exercício da vocação.

A vida flui naturalmente para quem atingiu o terceiro estágio, assim como o foguete, liberto de todas as forças que tentavam segurá-lo, vai ao encontro de seu destino sem esforços. Libertos das forças que puxam para baixo, dos “desejos existenciais terrenos", prosseguimos para o alvo. Neste momento, navega-se em paz, com simplicidade, alta velocidade, com propósito. O passado, o presente e o futuro se tocam em um único ponto: hoje!

Um comentário:

  1. Descobrir a nossa identidade e nos aceitarmos e' uma longa jornada. Aprendr que um rotulo nao nos define: uma profissao, por exemplo. Afinal, se deixarmos uma profissao, deixamos de ser quem somos? Aprender com a vida, com os erros, com as adversidades, tudo isso entra no processo de auto-conhecimento, de evolucao e crescimento. Hoje sei que nada sei, mas tambem sei que sou mulher, sou forte, sei me virar, sei chorar e enxugar as minhas lagrimas sozinha. Sei que Deus existe, e nunca me abandona. Sei que amor de familia e' que nem pilha duracell, keeps going and going. Aprendi que perdoar e' mais facil que guardar rancor, mas so se a gente primeiro aprende a perdoar a gente mesmo. Aprendi que nao ha' nada que nao possa aprender, so e' dificil ser mulher submissa. Sei que paz e' como magica, Deus envia nos momentos mais inesperados. Sei que amigo e' coisa rara, e e' para ser cultivado com carinhho. Aprendi que ha' coisas que tolero, e outras, nem pensar. Aprndi que depois de toda tempestade, aparece um lindo arco-iris, e que tudo passa, so' o amor fica.

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