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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Teu é o Reino, o Poder e a Glória!



Nos evangelhos, a oração do Pai Nosso termina com uma tripla afirmação:
“...pois teu é o reino, o poder e a glória!” É o final de uma oração essencialmente comunitária que desafia a uma vida em comunhão solidária.

Jesus Cristo define claramente onde, como e o porquê de todas as coisas. A utopia do reino por vir é de Deus, de ninguém mais. O seu exercício aqui será legitimado pelo amor. O objetivo final é a glorificação de Deus.

Porém, um profeta moderno coloca as coisas da seguinte forma: “la escuela parece estar eminentemente dotada para ser la Iglesia Universal de nuestra cultura en decadência (...) La escuela es un rito iniciatorio que introduce al neófito a la carrera sagrada del consumo progresivo” (Illich, 1971).

A igreja institucionalizada caiu em algumas armadilhas, pois suas escolas teológicas copiaram a mesma lógica das escolas seculares, formando lideranças que deformam o povo. Sua doutrinação é a perpetuação da religião de consumo e do poder temporal.

O Reino de Deus é o tema central da Bíblia. Em seu entorno circulam as idéias de salvação, ressurreição e de nova vida que é possível a partir da mudança de atitude. O Poder de Deus manifesta-se na vitória da vida sobre a morte. A honra devida a ele é por esta demonstração de domínio sobre todas as coisas.

Muitas instituições que nasceram legítimas sabotaram este princípio e caíram em muitas ciladas criando reinos particulares onde circulam papas, bispos, neoapóstolos, pastores e outros adjetivos eclesiásticos. Criaram estados para si, com suas regras, normas, liturgias e fronteiras bem delineadas, guerreando uns com os outros.

Católicos ou Protestantes, dentre outras religiões, desenvolvem sua interpretação particular das Escrituras. O poder em suas mãos é o resultado dos reinos conquistados e legitimados pelo rito da escolarização teológica de consumo de subsistência. Cada um deseja, desde a sua igreja local ou paróquia, ser o rei, o monarca absoluto. Questioná-los é questionar o divino. A presunção do poder legitima ações e conchavos para a perpetuação do feudo, em “nome de Deus”!

Como conseqüência natural desta cultura em decadência, a honra é desviada para as lideranças locais. Verdadeiros papagaios de piratas do poder alheio, líderes que dão festas apenas para quem também pode convidá-los para suas mesas. O púlpito torna-se o trono. A estrutura e o organograma refletem a ilusão do poder. A glória transitória de líderes sem liderança remete à história do gigante de metal mas de pés-de-barro.

Todavia, uma resistência tem sido despertada. Pessoas têm se lembrado que, assim como na visão do profeta Daniel, a Rocha descerá e derrubará tudo e todos: ao pó retornarão! O reino, o poder e a glória dos homens desaparecerão. Precisamos resgatar a oração-ação comunitária.

Gustavo A. L. Brandão

Um comentário:

  1. Sinto falta da igreja onde o lider nao e' a figura principal, onde o culto nao parece um show de midia, onde ha' lugar para todos, dentro de uma estrutura de humildade.
    Aqui nos EUA, sinto grande dificuldade em me adaptar a uma igreja. Somos anonimos. A enfase e' na lideranca. Quando passamos por dificuldades e precisamos de oracao, nem temos a quem recorrer, pois somos todos estranhos uns aos outros.
    Saudade dos pequenos grupos, como o de adolescentes, do qual fiz parte em Curitiba. Pequenos grupos de oracao e estudo biblico.
    Ao inves, entro em conflito com o cristianismo em massa, e as chamadas "mega-churches", que podem servir para alcancar muita gente boa, mas que a mim me deixam com fome de mais alimento solido, e mais intima comunhao.
    Abracos, Gustavo.

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